Folha de S. Paulo
Obras da Copa ficam R$ 2,7 bi mais caras
As obras da Copa do Mundo de 2014 tiveram um aumento de custo de R$ 2,7 bilhões desde janeiro. Um estudo da consultoria legislativa do Senado comparou os orçamentos previstos para estádios, obras de mobilidade, portos e aeroportos no começo do ano com o último balanço do governo federal, da semana passada.
Em janeiro, os projetos estavam avaliados em R$ 23,8 bilhões, mas agora essas mesmas obras têm o custo previsto de R$ 26,5 bilhões. Proporcionalmente, a maior variação ocorreu nos portos, que encareceram 21%.
Em valores absolutos, porém, as obras de mobilidade urbana foram as que mais cresceram: R$ 1,2 bilhão, ou 10%. Hoje os projetos voltados para a mobilidade estão avaliados em R$ 16 bilhões.
Para o governo, contudo, as obras de mobilidade, apesar do alto custo, não estão entre os “pilares essenciais” para a realização do evento, como já declarou o ministro Orlando Silva (Esporte).
Lula diz que político não pode ‘tremer’ quando for acusado
O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse ontem, em Salvador (BA), que “político tem que ter casco duro” e não pode “tremer” cada vez que for acusado de fazer “coisa errada”.
A declaração se referia aos ex-ministros Alfredo Nascimento (Transportes), Wagner Rossi (Agricultura) e Pedro Novais (Turismo). Segundo Lula, eles pediram exoneração porque não resistiram à pressão de suspeitas de envolvimento em casos de corrupção. O ex-presidente não fez menção ao petista Antonio Palocci, que saiu da Casa Civil em junho.
“Político tem que ter casco duro. Se o político tremer cada vez que alguém disser uma coisa errada sobre ele e não enfrentar a briga para dizer que está certo, acaba saindo mesmo”, disse o petista, durante cerimônia da Universidade Federal da Bahia.
Ele recebeu o título de doutor honoris causa em meio a protestos de estudantes. Um grupo de manifestantes reivindicou do governo federal a aplicação de 10% do PIB (Produto Interno Bruto) em educação. Enquanto Lula discursava, citando números de sua gestão para o setor, os estudantes gritavam do lado de fora do auditório.
Governo cede, mas impasse sobre royalties permanece
O governo Dilma acenou ontem com a possibilidade de ceder mais na divisão da receita de tributos do petróleo, mas novamente não conseguiu acordo, ao rejeitar as três propostas apresentadas pelos Estados produtores.falta de entendimento na reunião de ontem pode fazer a disputa ser decidida no Legislativo -onde Estados não produtores têm maioria e podem derrotar os principais produtores -Rio de Janeiro, Espírito Santo e São Paulo.
Depois de ter aceitado na semana passada reduzir em 33% sua fatia nos royalties, a União sinalizou que pode diminuir em 8% sua receita com participação especial, tributo pago pelas petroleiras em campos mais lucrativos.
Pela proposta, a União deixaria de arrecadar mais R$ 450 milhões no próximo ano, depois de já ter aceitado abrir mão de R$ 800 milhões com os royalties dos campos em mar já licitados por regime de concessão -reduzindo sua fatia nesse tributo de 30% para 20% em 2012.
Definição do novo ministro do TCU divide base aliada
Com sete candidatos, a base do governo Dilma expõe hoje sua fissura na eleição do novo ministro do TCU (Tribunal de Contas da União).
A divisão começa dentro do PT. Patrocinador da candidatura da deputada Ana Arraes -mãe do governador Eduardo Campos (PSB-PE)-, o ex-presidente Lula vai acompanhar a votação.
Boa parte da bancada petista, porém, defende Aldo Rebelo (PC do B-SP) para a vaga do ministro Ubiratan Aguiar, que se aposentou.
A votação hoje será secreta. O nome do novo ministro precisa do voto da maioria dos presentes. Depois, necessita da aprovação do Senado.
PSDB foca redes sociais e reúne ‘pais do Real’ em resgate a FHC
O PSDB decidiu investir pesado em comunicação, com ênfase nas redes sociais, e fará um seminário no Rio de Janeiro, em outubro, reunindo os “pais do Real”, para resgatar o legado do governo Fernando Henrique Cardoso e lançar seu novo programa.
As decisões foram tomadas a partir das conclusões de uma pesquisa comandada pelo cientista político e marqueteiro Antonio Lavareda, apresentada ontem à cúpula da legenda, em Brasília.
De acordo com o levantamento, o PSDB ainda tem bom recall das áreas de Saúde e Educação na gestão FHC. Além disso, a pesquisa apontou empate técnico, com dianteira numérica para os tucanos na gestão: para 15%, o PSDB tem quadros mais qualificados, contra 13% que atribuem a qualidade ao PT.
PF investiga a Vale em operação para combater grilagem
A Polícia Federal investiga um suposto esquema fraudulento de apropriação de terras públicas do Estado de Minas Gerais ricas em minério de ferro e suspeita do envolvimento da mineradora Vale.
A PF e os Ministérios Públicos Federal e estadual querem saber as razões de a companhia ter pago R$ 41 milhões a supostos integrantes de uma quadrilha que fraudava títulos de terras públicas. A Vale diz desconhecer o inquérito.
De acordo com documento do Ministério Público de Minas, a transação financeira foi registrada pelo Coaf, órgão do Ministério da Fazenda responsável pelo combate à lavagem de dinheiro. A Operação Grilo, deflagrada ontem em cidades do norte de Minas, resultou na prisão de nove pessoas -uma ainda está foragida- e no cumprimento de mandados de busca e apreensão.
Vale diz em nota que desconhece inquérito da PF
A mineradora Vale S/A informou que desconhece o inquérito que investiga as fraudes envolvendo terras públicas e disse que nunca foi convocada para dar explicações nessa investigação feita pelos Ministérios Públicos Federal e de Minas Gerais.
Em nota divulgada ontem, a empresa disse: “A Vale esclarece que tem realizado estudos no norte de Minas para implantar unidade de mineração de ferro capaz de gerar desenvolvimento para a região, conforme protocolo já assinado com o governo”.
“A Vale possui procedimento sistematizado de aquisições baseado nos mais rigorosos critérios éticos”, afirma o texto. Segue a nota: “Nos processos de aquisição de terrenos realizados na região, a companhia não identificou irregularidade”.
O Globo
Inflação dobra, dólar sobe mais e país crescerá menos
A inflação não dá trégua. O custo de vida dos brasileiros medido pelo IPCA-15, que é uma espécie de prévia da taxa oficial, praticamente dobrou em setembro, passando de 0,27% para 0,53%. A maior pressão veio de alimentos, bebidas e passagens aéreas. Em 12 meses, o acumulado do Índice está em 7,33%, o maior em seis anos. Segundo economistas, a alta do dólar ontem, a moeda subiu 0,50%, fechando a R$ 1,789 – também deverá ter impacto nos preços, ajudando a por mais lenha na inflação. Apenas em setembro, o dólar acumula alta de 12,03%. Ontem, o Fundo Monetário Internacional (FMI) reduziu a previsão do crescimento do Brasil de 4,1% para 3,8% este ano. A expansão deve ser a segunda pior da América do Sul, atrás apenas da Venezuela (2,8%)
Dilma: mídia atua contra corrupção
Em encontro na ONU sobre transparência governamental, organizado pelo presidente dos EUA, Barack Obama, a presidente Dilma Rousseff disse que a atuação livre e vigilante da imprensa no Brasil é um instrumento no combate à corrupção, ressaltando também os esforços da Procuradoria Geral da República e da Controladoria Geral da União. Dilma não citou recentes casos de irregularidades, que derrubaram quatro de seus ministros, mas reafirmou não compactuar com “erros e malfeitos”. A defesa da liberdade de imprensa vai na contramão do PT, que prega controle da mídia. Ao receber homenagem na Bahia, o ex-presidente Lula afirmou que os políticos devem ter “casco duro” para resistir às denúncias de corrupção. Hoje, a presidente Dilma discursa na abertura da Assembleia Geral da ONU.
No discurso, classe média e Palestina
A presidente Dilma Rousseff fará um longo e histórico discurso hoje de manhã, na sessão de abertura da 66ª Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU). Esse discurso é tradicionalmente feito pelo presidente da República do Brasil, e o fato de ser a primeira mulher a cumprir essa missão, diante de mais de 190 chefes de Estado, deixou a presidente mais apreensiva e cuidadosa.
A presidente pretendia, ainda ontem à noite, depois de uma extensa agenda ao longo do dia, fazer uma última revisão no texto. E, se possível, segundo comentou com auxiliares, queria reduzir um pouco a versão, que estava com 50 páginas.
Governo tentará votar hoje na Câmara projeto que cria a Comissão da Verdade
Apesar da resistência do DEM, o governo insiste em votar hoje na Câmara o projeto que institui a Comissão da Verdade, encarregada de esclarecer violações aos direitos humanos na ditadura. O partido de oposição não quer que pessoas ligadas direta ou indiretamente aos episódios ocorridos no regime militar participem da comissão, mas a proposta do DEM é rejeitada pelo Planalto.
Ontem, a negociação avançou noite adentro para que, ao menos, ficasse acertado o procedimento de votação. A oposição exigiu e o governo aceitou que a Comissão da Verdade seja apreciada só depois que a Câmara votar a regulamentação da Emenda 29, sobre gastos na Saúde. A comissão seria votada na noite de hoje ou, no máximo, amanhã de manhã. Se governo e oposição não se entenderem, a disputa pode chegar ao plenário.
Com Obama, nada de temas polêmicos
Com o discurso pronto para a abertura da Assembleia Geral da ONU, hoje, a presidente Dilma Rousseff se reuniu com o presidente Barack Obama ontem para uma conversa na qual evitou os temas de divergência entre os dois, entre eles a criação do Estado Palestino, que ela defenderá.
O encontro bilateral teve tom amistoso e cerca de 30 minutos de duração, segundo o ministro das Relações Exteriores, Antonio Patriota. O assunto da Palestina não foi tocado, embora seja o principal da Assembleia Geral, porque não houve tempo, de acordo com o chanceler.
Os dois presidentes trataram da situação na Líbia, mas Dilma não repetiu críticas ao uso da força para chegar à paz. O Brasil se absteve de votar na votação da resolução do Conselho de Segurança que autorizou operações militares na Líbia para a implantação de uma zona de exclusão aérea. Segundo diplomatas brasileiros, Dilma preferiu focar nos próximos passos.
Lula: ministros devem ter ‘casco duro’ para resistir às denúncias de corrupção
”Casco duro”. Esse é o atributo que os ministros da presidente Dilma Rousseff devem ter para resistir às denúncias de corrupção e não caírem tão rapidamente, aconselhou ontem o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, após receber em Salvador o título de doutor honoris causa da Universidade Federal da Bahia (UFBA).
– O político tem que ter casco duro. Porque, se cada político tremer a cada vez que alguém disser uma coisa errada dele, ele não enfrentar a briga para provar que está certo, e as pessoas vão saindo mesmo.
Lula citou casos que levaram à queda de ministros, desde o início do atual governo:
– Pelo que vi pela imprensa, o ministro Alfredo (Nascimento, dos Transportes) não foi a presidenta Dilma que tirou. Mandou ele investigar. O ministro (Nelson) Jobim não saiu por corrupção, saiu por conta de (outro) problema. O ministro da Agricultura (Wagner Rossi), a presidenta Dilma defendeu ele publicamente e ele depois renunciou. O ministro do Turismo teve um problema quando era deputado – disse Lula, sem citar o ex-chefe da Casa Civil Antonio Palocci, que caiu após a divulgação de seu crescimento patrimonial.
Genro de Gastão pede exoneração
O genro do ministro do Turismo, Gastão Vieira, o assessor técnico André Bello de Sá Rosas Costa, pediu exoneração do cargo comissionado que ocupava na Câmara desde abril. Ontem, O GLOBO revelou que ele foi nomeado para ocupar um cargo de natureza especial (CNE) na Comissão de Desenvolvimento Urbano da Casa. Resolução da Câmara proíbe nomeação “para exercício de CNE de cônjuge, companheiro e parentes consanguíneos ou afins, até segundo grau civil” de deputados, senadores, ministros do TCU e diretores da Casa. Gastão se licenciou do mandato de deputado para ser ministro. Procurado pelo GLOBO, Costa não retornou.
Usou diploma falso e perdeu cargo
O ex-funcionário do Ministério da Agricultura Boaventura Teodoro de Lima, que apresentou diploma falso de curso superior para alcançar cargo no governo, como revelou O GLOBO no último domingo, será desligado do Conselho de Administração da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). Boaventura é amigo de décadas de Wagner Rossi, ex-ministro da Agricultura, que o levou para assumir vários cargos em Brasília. São conhecidos de Ribeirão Preto (SP).
Boaventura ocupou, entre 2007 e 2010, indevidamente, o cargo de coordenador de Comunicação Institucional e Promocional da Conab. O posto exige curso superior e Boaventura, ao preencher ficha cadastral, disse ter diploma de terceiro grau. Cobrado, entregou diploma da Federação de Escolas Faculdades Integradas Simonsen, do Rio, onde teria se formado bacharel em Ciências Administrativas, em 1998. Consultada pelo GLOBO, a instituição informou que não encontrou Boaventura em seu cadastro de alunos.
Protesto pede que corrupção vire crime hediondo
Com palavras de ordem como “não basta demissão, tem que ter prisão” – numa referência às recentes demissões no governo Dilma Rousseff -, pelo menos 2,5 mil pessoas participaram ontem, segundo a Polícia Militar, do ato “Todos Juntos Contra a Corrupção”, na Cinelãndia, no Rio. Os organizadores, no entanto, contabilizaram cerca de cinco mil manifestantes, embora a expectativa fossede que 30 mil comparecessem ao evento, divulgado nas redes sociais na internet. No feriado de Sete de Setembro, a marcha levou 25 mil às ruas de Brasília.
O ato começou por volta das 18h, em frente à Câmara dos Vereadores. Havia faixas pedindo o fim da corrupção e do nepotismo. Muitas pessoas que saíam do trabalho no Centro pararam para apoiar a causa. Os discursos ocorreram em cima de um carro de som, onde foi lido um manifesto. Entre as reinvidicações, estavam o fim do voto secreto no Congresso e do foro privilegiado para parlamentares. Artistas como Roberto Frejat, Fernanda Abreu e Tico Santa Cruz deram depoimentos indignados pedindo o fim da impunidade e foram aplaudidos.
