Manuela Cavadas / Agência A TARDE / Arquivo

Encourados simbolizam vaqueiros que lutaram na guerra da Independência da Bahia

Encourados simbolizam vaqueiros que lutaram na guerra da Independência da Bahia

A poucos dias da festa do 2 de Julho, a Prefeitura de Pedrão, município a 130 km da capital baiana, e a ONG Terra Verde Viva ainda discutem o uso de cavalos pelo grupo denominado Encourados de Pedrão durante o desfile cívico. Formado por 40 vaqueiros, ele representa os voluntários comandados por frei Brayner que combateram na guerra pela Independência da Bahia, no século XIX. A ONG quer a retirada dos animais do desfile alegando que eles são submetidos a maus-tratos.

O prefeito do município, Alceu Barros, e a advogada da ONG, Ana Rita Tavares, reuniram-se na noite desta quarta, 27, mas não chegaram a um acordo. A advogada diz que vai tomar medidas judiciais para impedir o uso dos animais. “O 2 de Julho pode prescindir disso”, afirma a advogada.  Já o prefeito de Pedrão afirma que pretende manter os animais.

Ele conta que, após a polêmica pelo mesmo motivo no ano passado, o grupo encurtou o trajeto. “Ir a pé é que é impossível. As vestimentas pesam 20 quilos. Como um vaqueiro vai desfilar assim?”.

Apoio – A presidente do Instituto Geográfico e Histórico da Bahia (IGHB), Consuelo Pondé, apoia o uso dos cavalos. A mesma opinião tem o diretor da Fundação Pedro Calmon, Ubiratan Castro. “A decisão que impediu o desfile dos jegues na Mudança do Garcia e na Lavagem do Bonfim não se estende a um desfile cívico”, diz Castro. Para o historiador, proibir os cavalos no desfile do dia 2 equivaleria a impedir  as tropas montadas no 7 de setembro.

A advogada da ONG diz que a tropa montada é uma outra situação. “Eles (a cavalaria)  dão um tratamento melhor aos animais. É uma situação mais complexa porque existe ação institucionalizada”.

Castro conta que o Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural da Bahia (Ipac) já enviou um ofício ao secretário de Cultura, Albino Rubim, para garantir a presença dos Encourados. “Assinei em solidariedade”, afirmou.

Vídeo – Para demonstrar o que caracteriza como maus-tratos aos cavalos, a Terra Verde Viva produziu um vídeo, disponível no YouTube, intitulado “Salve o 2 de Julho e os animais”. O material aponta problemas, como a ausência de ferraduras; a desidratação durante o percurso; o uso de esporas, que ferem os animais; e o barulho durante o cortejo.

Veja aqui o vídeo:

O prefeito de Pedrão, Alceu Barros, nega as acusações do vídeo. “Ana Rita defende os animais – no que ela está certa –, mas despreza a culturada Bahia e desconhece a relação do vaqueiro com o animal. Mexa com todo mundo, menos com o cavalo do vaqueiro, que é, afinal, a ferramenta de trabalho dele”, acrescenta Barros.

O hipiatra (veterinário especializado no tratamento de cavalos)  Alexandre Tinoco não vê problema na participação dos animais neste tipo de evento. “São animais condicionados, que costumam participar desse tipo de atividade. O trajeto não é nem de perto uma atividade de muita exigência física. Não vejo problema, desde que os animais estejam com os arreios adequados e ferrados”.

Tinoco acredita que o ideal é a presença de um veterinário, para inspeção, em eventos que agregam um grande número de equinos.

O historiador  Ubiratan Castro de Araújo afirma que os animais estão em um evento protegido. “Trata-se de um desfile organizado, que tem um órgão responsável. Os cavalos estão protegidos pelos agentes públicos”, ressalta.

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