Tribuna da Bahia
prefeitura do município de Vera Cruz decretou luto oficial por três dias, após o trágico acidente em Gameleira, que motivou cerca de 90 atendimentos hospitalares. Foram sepultadas ontem, no cemitério de Itaparica, as quatro vítimas fatais do acidente: Lia Telma Alves Gomes Santana, 49; Carlos Alberto Neves da Silva, 14; Eric Kauan Santos, 7, e Paula Piedade Santos da Silva.
Apesar de ter sido divulgada sua morte, Wendell Amor Divino Romano, de 6 anos, não corre risco e segue internado na enfermaria do Hospital Geral do Estado, em Salvador. As vítimas participavam de uma festa para as crianças promovida pela Loja de Materiais de Construção Portal
da Ilha, quando um caminhão invadiu o local.
“Lamento
profundamente o que aconteceu em Gameleira com crianças indefesas e com todas as
famílias envolvidas. Nunca ocorreu nada parecido em nosso município. Estamos,
todos, comovidos com essa tragédia”, afirmou o prefeito de Vera Cruz, Antônio
Magno. Por sua vez, o secretário estadual de Saúde, Jorge Solla, visitou ontem
as vítimas do acidente internadas em dois hospitais públicos de Salvador:
Hospital Geral do Estado, onde duas pessoas continuam internadas, e no
Hospital do Subúrbio, onde uma mulher e uma criança continuam internadas. No
total, receberam alta imediata nove vítimas e, ontem, outras três foram
liberadas. Bruno Souza Santana, 11 anos, foi transferido do HGE para o Hospital
Agenor Paiva, onde fará uma nova cirurgia de fratura no ombro.
O
secretário destacou o Serviço Móvel de Urgência (Samu), com participação do
Grupamento Aéreo da Polícia Militar (Graer), que tiveram prontidão no
atendimento às vítimas. “Estão de parabéns”, disse Solla.
De
acordo com a Secretaria de Saúde do Município de Vera Cruz, foram 87
atendimentos hospitalares na Ilha, em decorrência direta e indireta do acidente
envolvendo um caminhão. A Unidade de Pronto Atendimento de Mar Grande (UPA) acolheu 24 pessoas e o Hospital Geral do
Estado de Itaparica (HGE), 63, entre vítimas e familiares que passaram mal na
confusão.
O motorista do caminhão, Carlos de Jesus Bahiense, de
29 anos, já se apresentou à 24ª Delegacia de Polícia, em Vera Cruz. Ele chegou à
delegacia acompanhado de um advogado e, de acordo com um agente da Polícia
Civil, negou responsabilidade pela tragédia que matou quatro pessoas. O condutor
afirmou que chegou à localidade na noite de sexta-feira (14) e deixou o veículo
estacionado com 624 sacos de argamassa nas proximidades de uma loja de materiais
de construção, na entrada da Gameleira.
Bahiense relatou ainda que
colocou uma espécie de ‘calço’ nas rodas do automóvel e, na manhã do sábado,
quando checou o óleo e água do veículo, ele permanecia no lugar. O motorista
contou ainda que não estava presente no momento do acidente e que ainda ligou
para o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) e tentou ajudar as
vítimas quando chegou ao local. Mas, devido à reação da multidão presente, teve
que sair escoltado pela polícia, já que temia pela própria segurança. O dono do
centro comercial também deverá ser ouvido nesta segunda-feira.
