Alessandra Nascimento/Tribuna
O preço da gasolina pode subir nos próximos dias. A informação é do presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo do Estado da Bahia, Sindicombustíveis, José Augusto Costa, que revelou que as distribuidoras estão entregando a gasolina em média R$ 0,03 mais cara aos postos de combustíveis. “Até agora os postos ainda não repassaram o aumento. Essa oscilação ocorre em função da mistura da gasolina com o álcool. Antes era 75% gasolina e 25% álcool e agora está em 80% gasolina e 20% álcool”, informa.
Ele ainda destaca que o ICMS também gera impactos sobre o preço do produto final. “O estado de São Paulo diminuiu a carga tributária do imposto de importação do etanol. A Bahia não importa álcool do exterior, mas compra de outros estados brasileiros como São Paulo, Goiás, Mato Grosso, Minas Gerais e Espírito Santo, além de outros estados nordestinos. A produção da Bahia é
pequena, somente 9% do produzido. O resto vem de fora. O álcool comercializado na Bahia é um dos mais baratos do país, custando em media R$ 2,06”, avisa.
Ele frisa que o consumidor baiano consome mais gasolina que álcool. “É importante destacar que quando se aumenta o valor da gasolina, se aumenta também a base de tributação”, avisa. A cidade de Barreiras possui a gasolina mais cara da Bahia, custando R$ 2,979, já Vitória da Conquista, a mais barata, com valores de R$ 2,541. As informações são resultado da pesquisa feita pela ANP e inclui 35 cidades. Em Salvador, o litro da gasolina custa em bomba R$ 2,745. A pesquisa levou em consideração o período entre 25 de setembro a 01 de outubro.
Redução do Cide – Recentemente foi publicado na imprensa que o governo
federal anunciou a redução do Cide de R$ 0,23 para R$ 0,19 por litro com o
objetivo de evitar elevação no preço da gasolina. A medida pode gerar aumento de
R$0,03 no preço do combustível na Bahia. A avaliação é do Sindicombustíveis,
justificando que o ICMS é calculado por MVA (Margem de Valor Agregado) e a
maioria das distribuidoras já aumentou o preço nesta semana. A questão do
mercado do etanol também aparece como foco de preocupação.
A União da
Indústria de Cana-de-açúcar, Única, informou que, na safra deste ano, a produção
será de 23,6 bilhões de litros, uma queda de 14% em relação ao ano passado,
quando o país produziu 27,5 bilhões de litros de álcool. Segundo o
Sindicombustíveis, os postos são o último elo da cadeia de abastecimento
nacional e refletem, na ponta, qualquer alteração de preços ocorrida nas
refinarias, usinas e nas distribuidoras.
