Por Sílvio França Farias Leal
Esta semana se comemora… ops, desculpe, se completa 10 anos desde a queda das “Torres Gêmeas” na cidade de Nova Iorque, nos Estados Unidos. Parece incrível, mas em pleno século 21, nós (ocidentais) temos a nítida certeza de que as coisas só acontecem sob a ótica dos que habitam o “lado” oeste do planeta, ou seja, não basta o sujeito ser PHD em Matemática, Física, Biologia, ser um gênio das artes ou mesmo um cientista carregado de experiencia e excelentes serviços prestados ao planeta, não! Mister se faz que ele habite o ocidente. Além disso, caso o mesmo more acima da linha do equador, melhor ainda.
A cultura ocidental, particularmente a engendrada pelos países mais ricos do planeta, a exemplos de França, Inglaterra, Itália, Canadá, Alemanha e principalmente os Estados Unidos tem conseguido ao longo dos séculos, incumbir na mente das pessoas (ocidentais, claro!) toda sorte de falácia e mentiras produzidas para manter e até ostentar a liderança (cada vez menor) dos países do chamado Primeiro Mundo. Segundo a ótica estadunidense, que é basicamente a ótica do ocidente, nós ocidentais somos os “mocinhos” enquanto o resto do mundo… me desculpem a expressão, mas é esta mesmo. Para os Estados Unidos, o que extrapola suas fronteiras é “resto do mundo”. Enquanto os outros, os que não fazem parte do lado “oeste” do planeta são os “bandidos”.
Todavia se faz necessário um pequeno esboço para sabermos quem na verdade são os “mocinhos e quem são os bandidos”.
A Guerra do Vietnã produzida e articulada pelos Estados Unidos entre 1961 e 1974 deixou quase 2 milhões de mortos, entre militares e civis, e entre estes, milhares de mulheres e crianças. Parte considerável da população economicamente ativa do país morreu durante o conflito. Este fato provocou uma grave crise econômica nos anos seguintes ao término do conflito.
Outra guerra com participação estadunidense foi a Guerra da Coréia que teve um saldo de mais de 1 milhão e quinhentos mil mortos e que terminou com a divisão dos dois países.
Também foram os Estados Unidos quem lideraram a “Guerra do Golfo” na década de 90, do século passado e novamente o resultado foi milhares de mortos entre civis e militares. Mortes estas, ocorridas em função da “defesa” dos ricos poços de petróleo do Kwait, pelo Governo Bush.
Não se pode esquecer da invasão criminosa que os Estados Unidos fizeram sobre o Iraque em 2003. Além das milhares de pessoas mortas durante a “ocupação” ilegal e imoral das tropas estadunidenses, o país do Tio San conseguiu ainda a destruição quase que completa da sociedade iraquiana. A nação está esfacelada; a população carente de gêneros de primeira necessidade; a violência é crescente e o medo tomam as ruas de Bagdad e de outras grandes cidades do país.
Mesmo que no caso do Vietnã a derrota dos Estados Unidos tenha sido vergonhosa e no caso do Iraque não ter sido muito diferente, somente os milhões de mortos em todos estes conflitos (e em muitos outros) dão-nos a clara ideia que nessa película entre mocinhos e bandidos a história é um pouco diferente.
Por isso, gostaria de visualizar o “11 de setembro” por uma ótica diferente: a ótica dos espoliados, dos marginalizados, dos oprimidos, seja por sua ideologia política ou mesmo pela fé que professa. Assim, teremos um quadro um pouco diferente em relação ao que aconteceu a exatos 10 anos na cidade estadunidense de Nova Iorque.
Os “atentados terroristas” alardeados pela mídia burguesa e ocidental, transformar-se-ão em “Ações de Guerrilha” ora orquestradas por militantes e guerrilheiros de países cujo pensamento político (e até religioso) difere do pensamento dos Estados Unidos.
Dessa forma, o Talibã nada mais é do que um grupo organizacional oriundo de um país espoliado pela política externa do gigante combalido da América do Norte e que faz de forma efetiva ações contrárias às investidas colonialistas dos autoritários governos dos EUA.
Os poucos mais de 3 mil mortos no chamado “11 de setembro”, sequer faz frente aos milhões de mortos assassinados pelos Governos dos Estados Unidos da América do Norte durante o curso da história.
Obviamente que um crime não justifica outro. Mas, até quando seremos subjugados e enganados pela mídia burguesa e ocidental? Até quando os “verdadeiros bandidos” continuarão a espoliar os que pensam diferente, pelo simples fato de pensarem diferente? Até que ponto os criminosos continuarão a “defender” o mundo dos “terroristas” inventados pelas grandes empresas de comunicação do ocidente?
Posso pensar que, até que o “resto do mundo” tenha voz, os Estados Unidos, a Rede Globo, o Ricardo Teixeira, a ONU (que já não apita mais nada), a União Européia, continuarão a ser os “mocinhos”, enquanto pessoas que pensam como o Talibã, Bin Laden, Hugo Chaves, Fidel, Ché Guevara, Allendi, Marx, Arraes, eu e talvez você, seremos sempre, ou até então os “bandidos”.
Sílvio França Farias Leal
é Geógrafo, escritor, poeta e membro
do Partido Socialista Brasileiro – PSB
