Uma corte americana considerou Ahmed Ghailani culpado de apenas uma das 286 acusações que pesavam contra ele após os atentados a bomba a duas embaixadas dos Estados Unidos, pondo fim ao primeiro julgamento civil de um ex-preso de Guantánamo.
O acusado, um tanzaniano de 36 anos, foi inocentado nesta quarta-feira de mais de duas centenas de crimes, entre os quais o de conspirar com a Al-Qaeda para matar cidadãos americanos nos ataques contra as embaixadas da Tanzânia e do Quênia, em 1998, nos quais morreram 224 pessoas.
No entanto, o júri, que deliberou pelo quinto dia após um julgamento que durou quatro semanas, o considerou culpado de conspirar para destruir propriedade dos Estados Unidos.
Em suas deliberações, o júri também teve que considerar se a conduta do réu causou a morte de outras pessoas, além de um outro indivíduo que teria participado da organização dos atentados.
Pelo crime de conspiração, Ghailani pode ser condenado a uma pena mínima de 20 anos de prisão, afirmaram promotores de Justiça. Mas um porta-voz da promotoria informou que ele pode, inclusive, pegar a prisão perpétua.
O anúncio do veredicto está previsto para 25 de janeiro.
O porta-voz do departamento de Justiça, Matthew Miller, qualificou a decisão de positiva: “respeitamos a deliberação do júri e nos agrada que Ahmed Ghailani seja passível de, ao menos, 20 anos de prisão, com possibilidade de prisão perpétua por seu papel nos atentados contra as embaixadas”.
Durante as quatro semanas de julgamento, os promotores apresentaram Ghailani como um conspirador que ajudou a Al-Qaeda a preparar os caminhões com explosivos que destruíram as embaixadas no Quênia e na Tanzânia.
O advogado de defesa, Peter Quijano, questionou a credibilidade dos testemunhos apresentados pelo governo e descreveu Ghailani como um inocente utilizado pela Al-Qaeda.
A principal testemunha da promotoria, Hussein Abebe, que afirmava ter vendido a Ghailani os explosivos utilizados nos atentados, foi excluída do processo por decisão do juíz Lewis Kaplan.
Abebe foi localizado por agentes americanos através de informação obtida com Ghailani em interrogatórios “severos” sob a custódia da CIA, o que inviabilizou seu testemunho.
A decisão do juiz Kaplan relançou o debate sobre a legitimidade de se aplicar o sistema legal americano a réus submetidos a tortura nas prisões secretas da CIA. As informações são da AFP
