do Blog do Fábio Sena
Um parto a fórceps, doloroso mas que oferece, por fim uma feição melhor acabada das eleições deste ano em Vitória da Conquista, até agora marcada por incertezas, angústias, desencontros e aflições.

O tucano Arlindo Rebouças e o democrata Marcelo Melo selaram a aliança e vão, ao lado do PPS, de Armênio Santos, disputar a Prefeitura Municipal de Vitória da Conquista. O PSDB terá a cabeça de chapa e os democratas terão a vice, cabendo ao PPS a tarefa de coordenar a campanha, que assegura, em definitivo, a ocorrência de dois turnos no terceiro maior colégio eleitoral baiano. As discussões em torno da chapa demoraram meses e gerou estresse. Tantos tucanos como democratas trabalhavam com uma certeza apenas: não acompanhariam o PMDB de Herzem Gusmão no primeiro turno sob nenhuma hipótese.
Os dirigentes locais afirmavam, à boca miúda – mas nem tanto – que o estremecimento da relação com o mais provável parceiro decorria de um suposto salto alto e do climas generalizado do “já ganhou”, que havia cultivado nos dirigentes peemedebistas uma lógica de aguardar que os demais partidos descessem por gravidade. “Eles acreditavam que os números das pesquisas seriam suficientes para uma aliança”, argumentou um dirigente tucano ao blog.
Para se ter uma ideia das dores desse parto, os democratas conquistenses já haviam inclusive avançado na costura de uma aliança com o PCdoB do deputado estadual Fabrício Falcão, que havia assegurado o sonho dos vereadores Lúcia Rocha e Álvaro Pithon: a coligação na chapa de vereadores. Ameaçados de serem os mais bem votados e, paradoxalmente, perderem as eleições, os dois parlamentares democratas experimentaram em doses cavalares o sentimento de rejeição a quem torna-se campeão de votos. O veto da maioria dos candidatos a vereadores do PMDB à aliança com o DEM decorreu exatamente desta certeza, de que trabalhariam para, antes de mais nadam, eleger Álvaro e Lúcia e, depois, engalfinharem-se entre si para assegurar uma mísera vaga.
A estratégia com o PCdoB, bastante alinhavada, só não vingou porque houve intervenção do alto comando dos tucanos e dos democratas baianos. Entraram em cena vários deputados, com mais ênfase o presidente do PSDB baiano, João Gualberto, e o prefeito ACM Neto, que ungiu a união. A aliança será homologada em convenção no primeiro dia do mês de agosto e deverá reunir vários parlamentares, inclusive do PMDB, segundo assegurou a este blog um dirigente tucano. “A coligação PSDB e DEM representa o fortalecimento da oposição em Vitória da Conquista, o que dificulta ainda mais a eleição para o PT. A aliança entre tucanos e democratas possibilita a consolidação de uma terceira via que até então não existia na cidade”, afirmou ao blog Ivan Cordeiro, pré-candidato a vereador e dirigente local do PSDB.
