O aumento da taxa de desocupação nas diferentes regiões do País é causada pela redução no contingente de pessoas com carteira de trabalho assinada, segundo Cimar Azeredo, coordenador de Trabalho e Rendimento do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). ”A taxa de desocupação é causa de um processo. O que aconteceu? A gente percebe que em praticamente todas as regiões, com poucas exceções, houve queda no contingente de pessoas trabalhando com carteira assinada. A perda de carteira é perda de estabilidade. Isso faz com que pessoas que estavam fora do mercado de trabalho passem a procurar uma ocupação para recuperar essa estabilidade e renda perdidas”, justificou Azeredo. Em São Paulo, Estado com maior peso na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua), a carteira assinada caiu 3,2% no primeiro trimestre, ante o mesmo período de 2015, o equivalente ao corte de 351 mil vagas formais no período de um ano. ”Entre os empregados do setor privado, é esperado que 100% tenham carteira assinada”, lembrou Azeredo. “Houve uma redução de emprego. Além do total empregado no setor privado estar menor ele tem presença menor de carteira assinada”, acrescentou. Segundo o coordenador do IBGE, os sucessivos cortes de vagas com carteira assinada resultaram numa mudança na estrutura do mercado de trabalho, com maior informalidade. Em São Paulo, o contingente de trabalhadores por conta própria aumentou 10,1% no período de um ano, o que equivale a 389 mil pessoas a mais nessa condição. ”Houve uma mudança na estrutura do mercado, que é a presença maior do trabalhador por conta própria, e a presença menor dos trabalhadores com carteira. Essa mudança é que impulsiona esse aumento na desocupação”, apontou Azeredo. Fonte: Estadão Conteúdo

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