Com a fachada da Assembleia Legislativa da Bahia, no CAB, tomada por professores que reivindicavam melhorias do Estado, autoridades responsáveis pela Copa do Mundo realizaram uma audiência com deputados na manhã de ontem, para apresentarem números sobre o evento que acontecerá no Brasil no meio do ano.
Após discursos do presidente da Comissão Especial da Copa, o deputado do PMDB Bruno Reis, do secretário do órgão municipal Ecopa, Isaac Edington, do secretário do órgão estadual Secopa, Ney Campello, e do diretor-presidente da Arena Fonte Nova, Marcos Lessa, o deputado do PT, Rosemberg Pinto, disse ter saído da comissão porque não concordava com a realização do mundial. “Não é crítica a apresentação de vocês, mas quando se fala de mobilidade urbana e avanços sociais, isso é papel do poder público, se precisar de uma Copa para fazer isso, eu estou no lugar errado”, manifestou-se.
O petista disse não temer retaliações por fazer parte do partido da presidente da República e do governador do Estado. “Estou muito a vontade, não posso me furtar disso. É muito dinheiro envolvido e o reajuste para o servidor público foi de 2%. Durante a Copa estarei nas manifestações populares com minha bandeira para defender a ideia de se investir em outros seguimentos”, concluiu.
Professor em Itabuna e membro da Central Sindical Popular com Lutas (CSP), José Roberto foi ao Centro Administrativo da Bahia (CAB) para reivindicar reajuste linear, lei do piso dos docentes e o pagamento dos salários atrasados para os funcionários terceirizados dos setores de alimentação e limpeza das escolas públicas estaduais. “É preciso repor a inflação anualmente. Fazemos oposição às outras frentes como Aplb (Sindicato dos Trabalhadores em Educação do Estado da Bahia), Ctb (Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil), Cut (Central Única dos Trabalhadores) e Fetrab (Federação dos Trabalhadores Públicos do Estado da Bahia), que estão muito próximas do governo”, argumentou.
Mais distante dos protestos populares, porém, foram apresentadas na audiência eventuais melhorias para beneficiar a cidade após o torneio, que dura um mês. “As estações da Lapa e Barroquinha vão continuar funcionando, diferente do que aconteceu durante a Copa das Confederações. Será aberto espaço para 600 ambulantes informais trabalharem, o que não acontecerá em todas as cidades-sede, e a Bahia receberá 670 mil turistas, 70 mil deles estrangeiros. E 45,7% das reservas internacionais no período serão para quem vai acompanhar a Copa. Mais de dois mil jornalistas de fora virão, interessados não só em futebol, mas também na nossa cultura, e circularão pela cidade, e queremos que seja propagada uma boa imagem para o mundo”, acredita o secretário da Ecopa, Isaac Edington.
Já o secretário estadual do evento, Ney Campello, não perdeu a oportunidade de criticar a gestão municipal anterior e disse não concordar com a máxima que o carnaval é a maior festa baiana. “O último prefeito deixou a cidade sem um real programado para o mundial. Superaremos a Copa das Confederações. No meio do ano passado recebemos 195 mil visitantes nos 10 dias de torneio e o gasto médio dos visitantes foi de R$ 2.541. Para a Copa do Mundo queremos aumentar esse gasto médio para R$ 6 mil por visitante, e será uma festa. Terá festa em Salvador, Lauro de Freitas, Lençóis, Feira de Santana e Vitória da Conquista. O São João sim é a maior festa da Bahia. O carnaval é uma festa de Salvador”, opinou.
As abordagens acerca de infraestrutura e arrecadação da Copa foram substituídas pelo zelo no palco das partidas, quando o diretor-presidente da Arena Fonte Nova, Marcos Lessa, disse lamentar o fato de a decisão do Campeonato Baiano acontecer em Pituaçu. “Eu disse ‘Vitória, nos ajude a colocar os dois times no estádio’. Conversamos com o presidente do Vitória e infelizmente o torcedor acostumado com equipamentos modernos não poderá contar com a arena. Lamento muito por isso e que sirva de reflexão mais para frente. Inclusive o último mando do Vitória poderia ser na arena, mesmo com o show de Elton John tendo acontecido no dia anterior”, desabafou. Para Marcos, o público tem melhorado com a presença das mulheres e o preço não é problema. “Nosso menor preço é R$ 15, e 60% das entradas que vendemos é meia”, disse.
Apesar dos protestos na frente da Assembleia Legislativa e do discurso de questionamento sobre os gastos da Copa feito pelo petista Rosemberg Pinto, nem todos se mostraram pessimistas. Deputado pelo PDT e presidente da Sociedade Desportiva Juazeirense, Roberto Carlos, disse que a Arena Fonte Nova “faz bem a alma”. “Se o mundo está envolvido com a questão da violência, é porque os governantes não entenderam a importância do esporte para a população. O momento em que tivermos um governo que trate o esporte como a educação, até porque o esporte é educação, os garotos aprenderão a respeitar as normas a serem seguidas”, idealizou. Em sua opinião, a realização de torneios de futebol é o segredo para o progresso de um país. “Eu gostaria de ter uma Copa do Mundo de 10 em 10 anos aqui no Brasil. O país iria avançar muito mais”, acredita.
Se dizendo cético em relação à Fifa, o deputado do PC do B, Fabricio Falcão, afirmou ser tarde demais para discutir questões acerca do mundial. “Eu estou estudando sobre o que é a Copa. O crescimento do turismo é algo exorbitante. Veja o que aconteceu com a Inglaterra e Holanda (o primeiro sediou o torneio apenas uma vez, há 48 anos, e o segundo jamais foi anfitrião de Copa ou Olimpíada). Veja a projeção da Rússia com os jogos de inverno”, discursou
Fonte: IG
