A Tarde
Os casos de sequestros feitos de forma aleatória na Bahia têm se tornado frequentes. Esta modalidade ocorre quando os sequestradores escolhem uma vítima a partir de uma avaliação rápida, principalmente, crianças, pois imaginam que os pais vão pagar o valor exigido, informa uma fonte policial. Entre junho e agosto, vários casos foram noticiados.
Uma das vítimas foi abordada em Feira de Santana por três homens armados no bairro Brasília e levada como refém no próprio carro, um Corsa, cor branca. A polícia frustrou a ação ao surpreender e matar os sequestradores. No Costa Azul, um homem foi pego quando chegava em casa na Rua Monsenhor Gaspar Sadoc. A vítima foi levada para uma agência bancária na região e foi obrigada a realizar saques.
Outra novidade é que os criminosos pedem resgates em valores considerados baixos para este tipo de crime, além de desrespeitar o “código de ética” dos bandidos ao sequestrarem crianças. Foi o que ocorreu no último dia 22 de agosto, quando uma garota de apenas 5 anos foi sequestrada a poucos metros de casa no Loteamento Aquárius, na Pituba. A garota foi liberada após o pagamento do resgate quatro dias depois. O valor foi de R$ 1.450.
A TARDE tomou conhecimento de mais uma tentativa de sequestro ocorrida há 15 dias no bairro de Mussurunga. Foram momentos de tensão. “Agarrei-a como se fosse a última coisa que faria na vida”. O depoimento é da mãe, uma jovem de 21 anos, que por pouco não teve sua única filha de um ano e um mês raptada. Ela havia saído na companhia da filha para comprar envelopes destinados a currículos a serem distribuídos em empresas.
O delegado-geral Hélio Jorge ressaltou a importância da comunicação imediata de fatos como este à polícia para a adoção de medidas cabíveis. “Até para que possamos identificar se o caso se trata de extorsão mediante sequestro, um sequestro, rapto ou sequestro-relâmpago”, analisa.
Segundo ele, a Bahia não possui um histórico de casos de extorsões mediante sequestros. “Não com todas as características necessárias para que nos possamos caracterizá-los como da complexidade que este tipo de delito exige”, explica. O delegado confirmou apenas uma situação de sequestro de criança este ano
Pânico – A tentativa de sequestro em Mussurunga envolveu um grupo de três pessoas em um Corolla de cor vermelha que parou próximo às vítimas. A bordo estavam uma mulher e dois homens. “A mulher no interior estava bem vestida e aparentava 30 anos. E gritava que eu tinha roubado a filha dela”, conta a mãe.
Um dos homens desceu do carro com a desconhecida. Tentaram arrancar a criança da mãe. “Gritava socorro. Minha sorte foi que vinham descendo dois homens que pareciam caminhar para a academia”, observa. “Foi aí que os três criminosos desistiram e foram embora.”
Após o ocorrido, a jovem foi orientada a se dirigir à 12ª Delegacia Territorial (DT/Itapuã). Chegando na unidade, tomou conhecimento de outros três casos de raptos de crianças nos bairros de São Cristóvão e Itinga, todos não confirmados pela Secretaria de Segurança Pública (SSP). A queixa foi formalizada na Dercca.

