A queda do 6º andar do prédio em que seu pai morava não foi a causa determinante para a morte da menina Isabella Nardoni. Lesões causadas por asfixia e por uma queda anterior – ela teria sido atirada no chão – já teriam comprometido gravemente o seu estado de saúde, segundo o legista Paulo Sérgio Tieppo Alves. Leia mais: Isabella foi jogada no chão após asfixia, diz médico legista Defesa do casal Nardoni “segura” segunda testemunha do caso Advogado defende isolamento de mãe de Isabella para acareação com os Nardoni Julgamento recomeça com depoimento de testemunhas; réus serão ouvidos amanhã “Ela já tinha os parâmetros vitais comprometidos quando caiu”, disse Paulo Alves, um dos responsáveis pelo laudo que determinou as causas da morte de Isabella: asfixia e politraumatismo. Para ele, as lesões causadas pela queda seriam muito mais graves e haveria maior sangramento se Isabella estivesse em condições de saúde normais. O depoimento do legista corrobora a tese da acusação, segundo a qual Alexandre Nardoni teria decidido jogar Isabella da janela de seu apartamento por achar que ela estava morta. De acordo com o promotor Francisco Cembranelli, a madrasta Anna Carolina Jatobá tentou esganar Isabella, que depois disso teria desmaiado. Paulo Alves contou que quando foi chamado para examinar o corpo só recebeu a informação de que teria o ocorrido uma “morte suspeita”, com o acréscimo “vítima de queda do 6º andar”. O legista disse que ficou surpreso ao encontrar lesões que não correspondiam a uma queda de grande altura, o que classificou como “discrepância”. Ele confirmou que a vítima tinha sinais claros de asfixia, como lesões no pescoço e presença de sangue nos pulmões, além de vômito nas narinas e nas roupas. O trabalho do grupo de legistas passou a se concentrar na separação das lesões ocorridas antes e depois e da queda. Segundo Paulo Alves, ficou totalmente descartada a possibilidade de Isabella ter caído de ponta cabeça ou de as lesões no pescoço terem sido causadas pela queda. Pouco após ter começado a interrrogar a testemunha, o promotor Franciso Cembranelli pediu que o legista mostrasse fotos do corpo de Isabella aos jurados, para explicar como chegou a suas conclusões. Nesse momento, a autora de novelas Glória Perez, que acompanhava o julgamento, saiu da sala. Na saída do intervalo concedido pelo juiz Maurício Fossen, ela disse o “carnaval” criado pela defesa do casal tentando desqulificar o trabalho da perícia está caindo por terra. Causa indeterminada O legista desqualificou também a possibilidade de uma incoerência sobre a causa da morte no atestado de óbito de Isabella. Ele disse que é prática comum no IML (Instituto Médico Legal) primeiramente idenfiticar as razões do óbito como “causa indeterminada”, enquanto são realizados os exames criminológicos, para poder liberar o corpo para a família.
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