Do G1, em Brasília
A presidente Dilma Rousseff abre nesta quarta-feira (21), às 9h, o Debate Geral da 66ª Assembleia Geral das Nações Unidas, em Nova York. Primeira mulher a fazer o discurso de inauguração do evento, que por tradição cabe ao chefe de Estado brasileiro, Dilma falará sobre a crise financeira internacional, conflitos no Oriente Médio, aquecimento global e participação política das
mulheres.
A presidente poderá citar no discurso o apoio do Brasil à criação do Estado Palestino, um dos principais temas a serem debatidos na Assembleia da ONU. Sobre a crise econômica, Dilma deverá reforçar a defesa por medidas que estimulem investimentos e reforcem o mercado interno.
Dilma tem criticado políticas adotadas pelos Estados Unidos e outros países desenvolvidos no combate à turbulência financeira. Em entrevista na última quarta (15), a presidente afirmou que falta ao governo norte-americano “decisão política” que estimule investimentos e “recicle” o endividamento da população.
Ainda no discurso da abertura, Dilma deverá defender maior
empenho dos países, principalmente dos desenvolvidos, na proteção do meio
ambiente e redução das emissões de gases do efeito estufa. Ela citará as
preparações para a Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento
Sustentável, a Rio+20, que será sediada no Brasil em junho de 2012.
A presidente deverá falar ainda sobre a importância de garantir maior
participação das mulheres na política. Em discurso
nesta terça (19), no Colóquio de Alto Nível sobre Participação Política de
Mulheres, Dilma destacou a presença feminina em sua equipe ministerial,
principalmente no “núcleo central” do governo.
Ela afirmou ainda a
questão de gênero está “longe de ser um tema acessório”, mas uma “prioridade na
agenda internacional”. “São as mulheres as que mais sofrem com a pobreza, o
analfabetismo, as falhas dos sistemas de saúde, os conflitos e a violência
sexual. A crise econômica e as respostas equivocadas a ela podem agravar esse
cenário.”
Reuniões
Antes de discursar na Assembleia Geral das
Nações Unidas, a presidente terá, às 8h30, uma breve audiência com o
secretário-geral do organismo internacional, Ban Ki-moon.
Ao longo da
tarde desta quarta, Dilma terá reuniões bilaterai, pela ordem, com o premiê do
Reino Unido, David Cameron, com os presidentes da França, Nicolas Sarkozy, do
Peru, Ollanta Humala, e da da Colômbia, Juan Manuel Santos. De acordo com o
Planalto, mais de 40 países pediram audiências com Dilma. Devido à agenda
apertada, a presidente precisou
selecionar.
Líbia
Além de tratar da criação de um
Estado Palestino, líderes dos mais de 190 países integrantes das Nações Unidas
irão debater o futuro político da Líbia, que vive uma guerra civil desde
fevereiro deste ano, quando grande parte da população se rebelou contra a
ditadura de 42 anos do coronel Muhammar Kadhafi.
A ONU deverá decidir se
apoia formalmente o Conselho Nacional de Transição (CNT) líbio, formado pelos
rebeldes que lutam contras as forças de Kadhafi. A tendência é de que as Nações
Unidas defendam que o CNT assuma o poder provisoriamente e organize
eleições.
