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PT e PSDB disputam apoio da candidata, que teve quase 20 milhões de votos no primeiro turno

Em entrevista à JP, Marina fala em PV dividido

Rodrigo Ramon/Rádio Jovem Pan

Os quase 20 milhões de votos que Marina Silva (PV) recebeu no primeiro turno da eleição são cobiçados pelos candidatos Dilma Rousseff (PT) e José Serra (PSDB). Em entrevista à Rádio Jovem Pan, a senadora Marina Silva, que teve 19,33% dos votos válidos, afirmou que a decisão sobre o candidato que será apoiado no segundo turno sairá apenas após a plenária do PV, que deve ocorrer em até 15 dias.

Embora não tenha alcançado o segundo turno da eleição presidencial, a acreana

aproveitou para agradecer aos eleitores pelo apoio e carinho em sua campanha. “Gostaria de agradecer aos eleitores e dizer que o novo processo político, não pode ser diferente do que foi antes (…) O avanço que precisamos ainda com relação a erros e acertos, os acertos sempre incorporados como conquistas a serem mantidas, e os erros, para que possamos aprender com eles (…) Fiquei muito feliz com o resultado. O Brasil é um país maravilhoso”.

Sobre a disputa, Marina Silva revelou que considera o seu projeto de país apresentado na campanha como vitorioso. “Quando estavamos em campanha, eu dizia que o segundo turno seria discutido no segundo turno. Muitos tinham a expectativa de que tudo se resolveria no primeiro turno, e não foi isso que aconteceu. As urnas revelaram algo muito maior do que as pesquisas mostravam”.

Segundo a senadora, a escolha sobre o apoio a um dos candidatos será tomada em conjunto, durante uma convenção nacional do Partido Verde. “Não se pode dizer que haverá uma decisão única, e sim uma análise de diversos projetos e convicções. Na realidade social e política, não se pode prever um resultado único”.

Questionada sobre a possibilidade de participar da propaganda eleitoral, Marina foi evasiva e enfatizou que, quando o apoio for decidido, ele será de conhecimento dos brasileiros. A saída da senadora do Ministério do Meio Ambiente e do PT está relacionada com sérias divergências dentro do governo Lula, inclusive com a então ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff.

Para Marina, a questão da saída do governo ocorreu em função de divergências e disputas no goveno que não se limitavam à ex-ministra, e sim aos diversos Ministérios. “A gota d’água para sair do Ministerio foi a falta de visão da maioria do partido e do governo em relação ao desafio da sustentabilidade”.

A preocupação com a questão ambiental foi, durante todo o primeiro turno, o eixo dos pronunciamentos e propostas de Marina. Mas passou quase em branco nas campanhas de Dilma Rousseff (PT) e José Serra (PSDB). No entanto, nesta terça-feira, o candidato do PSDB à Presidência da República, José Serra, declarou que não é ambientalista de última hora apenas para agradar aos eleitores de Marina Silva.

Já Dilma Rousseff ressaltou sua educação católica durante entrevista. Sobre o assunto, a acreana revelou que não cabe a ela julgar a veracidade dos comentários do candidatos, pois tratam-se de princípios.

“Nunca escondi a minha fé e os meu princípios. Nunca fui pelo discurso fácil de satanizar quem é contra aos meus princípio. (…)Eu vejo esse segundo turno como uma benção. É uma chance do eleitor repensar o seu voto sobre a gestão pública e também, para os institutos de pesquisas fazerem uma avaliação. As pessoas tem que entender o que as urnas estão dizendo e elas estão dizendo que as pessoas querem compromissos. Não queremos uma política com a repetição dos mesmos”

Sobre o resultado contraditório das pesquisas, Marina Silva salientou que muitas pessoas seguem as pesquisas para destinar o seu voto. “Eu sempre dizia que não iria me render as situações, já que o que eu vejo nas ruas é muito maior do que qualquer resultado de pesquisa estão conseguindo alcançar. Esse segundo turno tem que ser tranformado em um ganho para a democracia e para a população. Estamos tendo a chance de olhar o país de baixo para cima e não de cima para baixo”.

Na noite desta terça-feira, a senadora divulgou uma nota desmentindo a declaração do presidente do PT, José Eduardo Dutra, de que aceitou discutir o apoio a Dilma Rousseff no segundo turno. Ouça a entrevista completa.

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