Tribuna/Tatiana Ribeiro
O namorado da engenheira ambiental Marleide de Oliveira Junqueira, 37 anos, Antonio Luís Santos de Jesus, 42 anos, não compareceu à 11ª Delegacia de Tancredo Neves para prestar depoimento sobre o desaparecimento da companheira há 18 dias. Devido à sua ausência, o delegado titular da unidade policial Adailton Adan, solicitou, na tarde de ontem, à Justiça, a prisão temporária de trinta dias, podendo ser prorrogada pelo mesmo prazo.
Em frente à delegacia, parentes da engenheira estavam apreensivos e ansiosos à espera de respostas que possam esclarecer o sumiço dela. Familiares também prestaram depoimento na delegacia e relataram que Antonio foi a última pessoa que esteve com ela antes do desaparecimento e que a engenheira sofria maus- tratos.
Segundo o chefe do Serviço de Investigação da 11ª Delegacia, José Guerreiro, a polícia entrou em contato com Antonio desde quinta-feira passada solicitando a presença dele na delegacia.
“Ele falou que estava viajando, e que assim que chegasse a Salvador prestaria depoimento. Hoje (ontem) falei com ele três vezes por telefone e ele se comprometeu que viria aqui com o advogado dele”, declarou o investigador de polícia. Ainda de acordo com Guerreiro, o namorado da engenheira relatou que, no dia do seu desaparecimento, ela descobriu que ele tinha um filho.
Eles teriam conversado e Antonio havia deixado a namorada em um ponto de ônibus. “Antonio disse que não sabia do paradeiro de Marleide, e que suspeitava que ela tinha fugido, após descobrir ele tem um filho. Mas essa história está mal contada. Como ela iria desaparecer sem dinheiro, sem nada e apenas com a roupa do corpo? Isso não encaixa”, questionou.
Conforme o Boletim de Ocorrência que consta na 11ª Delegacia, Antonio responde a três inquéritos e já foi preso. Em setembro de 1999, ele respondeu um processo pela 7ª Vara Crime por estelionato. Já em setembro de 1997, foi acusado pelo mesmo crime e o caso está com a 11ª Vara Crime.
No ano de 1992, ele foi preso por estelionato e furto na 9ª Delegacia da Boca do Rio. Ainda segundo a polícia, Antonio possui dois CPFs com números distintos e constando um outro nome de mãe. Para os familiares de Marleide, ainda não foi dessa vez que as dúvidas sobre o paradeiro da engenheira foram respondidas.
“Para nós é um tormento todos esses dias, sem conseguir falar. O celular dela cai na caixa toda vez que tentamos ligar. Ainda não é hoje que vamos saber, mas não vamos desistir.”, afirmou José Hebert, irmão de Marleide. Parentes contaram que pouco conheciam Antonio e que eram contra a relação dos dois. A engenheira desapareceu no último dia 21 de agosto, após ter ido se encontrar com o namorado. Ela teria saído a pé, e não levava dinheiro, nem celular.
