Lorena Caliman | A Tarde On Line
Dos alunos concluintes do ensino médio e de cursinhos pré-vestibulares, 82,9% prestarão o Enem em 2010. A conclusão é de um estudo realizado em Salvador e divulgado nesta terça-feira, 31, pelo diretor da Potencial Pesquisas, o professor universitário e especialista em pesquisas de mercado José Carlos Leite. O estudo abrangeu alunos de 28 instituições públicas e privadas.
Nas escolas privadas, o total de participantes no Enem é de 84,4% de, e nas escolas públicas, 80%. Divididos em classes sociais, participam 81,36% de alunos da classe A, 86,26% da B, 78% da C e 87,5% das classes E e D, que têm, no entanto, representação restrita no estudo. Segundo Leite, apenas 3% dos entrevistados são originários dessas classes, o que sugere reflexões sobre a acessibilidade à conclusão dos estudos.
Entre aqueles que não prestam o exame este ano, a maior parte (22,92%) alegou não ter conseguido se inscrever. Outra parcela, 20,83%, diz não saber porque não vai fazer o exame. Empatados em terceiro lugar, com 10,42%, estão as respostas “não tive dinheiro para pagar” e “não tive interesse”, seguidos de “já fiz” e “não confio mais”, com 8,33% de respostas.
A confiança no Enem é outro fator de destaque. Do total de respondentes, mais de 42% diz confiar no exame. A parcela de indiferentes também chama a atenção: 37,57% marcaram como opção nem confiar, nem desconfiar do Enem. Cerca de 19% ou desconfiam ou desconfiam totalmente da prova.
Vestibulares – Outra questão que se destaca na pesquisa se refere à prestação de vestibulares no final de 2010: 79,6% dos estudantes de 3º ano e cursinhos vão tentar ingressar em faculdades e universidades, contra 11,4% que ainda não sabem e 8,9% que afirmam não participar este ano. Dentre os motivos para a não participação, o mais apontado é não se sentir preparado, resposta de 48% das pessoas nessa situação. A não inscrição no Enem vem em segundo lugar, com 16%.
Os cursos mais procurados como primeira opção foram Medicina (12,1%), seguido de Direito (11,4%) e Enfermagem (7,9%). Em quarto lugar, está Administração, e depois Engenharia Civil, Arquitetura, Psicologia e Serviço Social. Nas áreas de conhecimento, há uma aproximação na preferência entre as ciências Humanas e de Saúde, que obtiveram, respectivamente, 36,4% e 34,3% das respostas. A escolha pelas Exatas ficou com 20% do total de preferências em primeira opção.
Obrigatoriedade – Quatro perguntas sobre a obrigatoriedade do Enem foram feitas. Em primeiro lugar, com 42,5% de escolhas, ganhou a afirmação de que o exame deve continuar sendo voluntário. Em segundo lugar, com 34,64%, ficou a opinião de que o exame é bom, mas precisa evoluir se quiser se tornar obrigatório. Já a obrigatoriedade apenas para estudantes de 3º ano teve 21,8% de votos.
Financiamento – Do total de entrevistados, a maior parte (58%) afirma que, caso estude em universidades ou faculdades privadas, a principal fonte de pagamento virá da família. Em segundo lugar, aparece o financiamento por meio de emprego próprio, com 19,48%. Leite ressalta que a busca por programas de bolsas de estudos, como o Programa Universidade para Todos (ProUni) ou como o Fundo de Financiamento ao Estudante do Ensino Superior (Fies), ambos do Ministério da Educação (MEC), são destaques quando avaliados dentro da classe C, onde representam 32,4% das formas de pagamento. No total da pesquisa, eles representam 16% da forma de pagamento.
| Saiba mais |
>> 76% dos estudantes entrevistados acreditam que existem estudantes que, de forma clara, optam em primeiro lugar por faculdades privadas. O número de pessoas que realmente se encaixam nesse perfil, no entanto, é de 15,7%.
>> 42,9% dos estudantes afirmam confiar no Enem. Desse total, 4,29% dizem confiar totalmente. Por outro lado, 37,9% do total de concluintes do ensino médio se mostram indiferentes à confiabilidade do exame, enquanto 6% dizem desconfiar completamente.
