Priscila Chammas|Redação CORREIO

Saia-justa, críticas ao governo e medição de forças, mas sem espaços para ofensas. Foi assim a sabatina promovida ontem pela Federação das Indústrias do Estado da Bahia (Fieb), com os três principais candidatos ao Palácio de Ondina. O discurso inicial do presidente da Fieb, José de Freitas Mascarenhas, desagradou Jaques Wagner (PT), ao mesmo tempo que deu a Geddel Viera Lima (PMDB) e Paulo Souto (DEM) a pavimentação necessária para atacar o governo petista.


Paulo Souto (DEM), Jaques Wagner (PT), Geddel Viera Lima (PMDB) participaram da sabatina

Mascarenhas citou números que, para a Fieb, revelam o baixo ritmo de crescimento da economia baiana, o pouco avanço nos indicadores sociais e os problemas de infraestrutura e mobilidade urbana. Para manifestar o descontentamento com o discurso, o petista preferiu usar o sarcasmo: “Confesso até que fiquei um pouco assustado com esse discurso. Pensei que tivesse sido escrito pelo candidato do Psol”, ironizou.

Wagner referia-se a Marcos Mendes, que vem atacando severamente o governo. “Faltou um capítulo de sugestões aí. Não quero aplausos, apenas sugestões e ideias”, disse o governador à plateia formada por cerca de 250 lideranças da indústria do estado que, segundo Wagner, também têm responsabilidades pelo desenvolvimento econômico e social da Bahia.

Na batalha de lordes, Mascarenhas pediu a palavra e, com um sorriso no rosto, explicou que não houve ataques pessoais e que o documento, fundamentado por fontes oficiais, havia sido endereçado a Wagner enquanto candidato, e não como governador. O petista aceitou a explicação: “Foi brincadeira, eu sei que você não é do Psol”, disse, colocando fim à tensão no auditório da Fieb.

O candidato democrata foi o primeiro a ser sabatinado e manteve a mesma postura que vem tendo desde a pré-campanha: criticar duramente o atual governo, em qualquer área. Entre os problemas apontados na gestão petista, Souto disse haver um enorme descontrole dos gastos públicos. O candidato do DEM criticou ainda o que considera “pouco crescimento do programa Saúde na Família” e mirou nos números relativos à segurança pública.

COMPARAÇÃO
“Em 2009, tivemos 76% mais homicídios que em 2006. A violência é uma questão generalizada, mas outros governos já conseguiram diminuir os índices”, afirmou. Se eleito, prometeu concretizar obras que, segundo ele, não saíram do papel, como o Porto Sul (em Ilhéus), o Polo de Construção Naval e a Ferrovia Oeste-Leste.

Souto disse que pretende recuperar a indústria cacaueira, melhorar o aproveitamento do algodão, expandir as fábricas de celulose e interligá-las aos polos de movelaria. O democrata destacou ainda a importância da indústria petroquímica para o estado e criticou o radicalismo de ambientalistas. O que, para ele, atrapalha o desenvolvimento.

MEIO AMBIENTE
Pórem, Souto disse não acreditar “em desenvolvimento a qualquer custo”. Mesma opinião defendida por Geddel. “A questão ambiental é uma área que não permite ‘ideologizações’, tem que haver mais objetividade”, disse, citando os entraves criados por órgãos de fiscalização para a liberar licenças ambientais. Sobre sua saída do time do atual governador, o peemedebista usou o casamento como metáfora: “Ninguém se separa na lua de mel. Mas, quando começam a haver divergências, ou a gente fica infeliz ou se separa”, disse. À imprensa, negou ter qualquer posição sobre alianças com o PT na Bahia, caso não saia do terceiro lugar. “Não vou comentar, pois não acredito em segundo turno entre Jaques Wagner e Paulo Souto”, disparou.

POLÊMICA
Em conversa com jornalistas, Wagner tentou explicar a declaração dada no debate da Band, na semana passada, de que cemitério e cadeia são as únicas soluções para usuários de crack”, frase que provocou reações críticas de adversários. “Ele (Geddel) queria que eu dissesse o quê? ‘Pode entrar no crack que depois eu arranjo uma clínica pra resolver?’. Falei pra assustar mesmo, dar um tratamento de choque”, justificou.

Fieb justifica ausência de quatro candidatos
O presidente da Fieb, José de Freitas Mascarenhas, disse que a ausência de outros quatro candidatos no debate se deveu à baixa competitividade dos nomes na disputa pelo governo. “Só convidamos quem tem condições de ganhar a eleição”, declarou o presidente, provavelmente embasado nas pesquisas.

Ficaram de fora Marcos Mendes (Psol), Luiz Bassuma (PV), Sandro Santa Bárbara (PCB) e Carlos Nascimento (PSTU), que acabou barrado ontem pelo Tribunal Regional Eleitoral.

Compartilhe