Zero Hora
Para muitos, ontem foi dado um passo sem volta na redemocratização de Cuba. Para outros, mais cautelosos, as medidas são tímidas, pois falta muito a fazer. Chegaram a Madri sete presos políticos libertados pelo governo cubano, a primeira leva do acordo que promete a libertação de 52 dissidentes.
Os ex-prisioneiros, que estavam no cárcere desde 2003, chegaram, com familiares, para o exílio na Espanha. O encontro com esses familiares, ainda em Havana, foi marcado por cenas de forte carga emocional. Segundo o governo espanhol, eles são livres para seguir a outros destinos. Chile e Estados Unidos já ofereceram asilo.
Os seis primeiros – Léster González, Omar Ruíz, Antonio Villarreal, Julio César Gálvez, José Luis García Paneque e Pablo Pacheco – chegaram ao aeroporto de Barajas às 12h49min (7h49min em Brasília), em um voo da Air Europa. O sétimo, Ricardo González, chegou aproximadamente às 13h locais, em voo da Iberia. Eles embarcaram na noite de segunda-feira, em dois voos sem escala, ao lado de seus familiares.
Os 52 escolhidos para a libertação fazem parte do chamado Grupo dos 75, formado por pessoas presas e julgadas em 2003, sob a acusação de receber dinheiro e orientação do governo dos Estados Unidos e seus aliados para, segundo o governo, destruir a Revolução Cubana. Vinte dos membros do grupo original foram soltos antes, por problemas de saúde.
“Somos o início de um caminho que pode ser o começo de uma mudança para o país. Para nós, o exílio é uma continuação da luta, e pode-se lutar de muitas formas. Esperamos que aqueles que permanecem em Cuba tenham a mesma liberdade que temos”, disse o grupo, por meio de um comunicado lido no desembarque em Madri.
EUA elogiam libertações mas pedem mais
No Exterior, a repercussão foi grande. Os Estados Unidos, por exemplo, fizeram algumas ponderações para depois definir as libertações como algo positivo, segundo o Departamento de Estado.
“Os EUA continuam a pedir a libertação imediata e incondicional de todos os prisioneiros políticos, mas este é um acontecimento positivo, que, esperamos, marcará um avanço para um respeito maior aos direitos humanos e às liberdades fundamentais em Cuba”, indicou, em uma nota, o porta-voz Philip Crowley.
O governo cubano nega que mantenha presos políticos, descrevendo-os sempre como criminosos financiados pelos EUA. Horas antes de os dissidentes partirem, ainda na segunda-feira, o ex-presidente Fidel Castro, 83 anos, apareceu na TV estatal cubana. Em uma entrevista de uma hora e meia, falou sobre a Coreia do Norte e o Irã e voltou a atacar os EUA. Mas Fidel não fez qualquer menção aos prisioneiros.
Outros quatro ex-presos políticos cubanos chegarão à Espanha entre hoje e amanhã, informou o chanceler espanhol, Miguel Angel Moratinos. Eles são Omar Rodríguez, Normando Hernández González, Luis Milán e Mijail Bárzaga, precisou.
