Roberta cerqueira/Tribuna da Bahia

 Mesmo intercalada por períodos de estiagem, a chuva que cai sobre Salvador ainda provoca estragos pela cidade. O mau tempo dificulta a operação tapa-buraco, da prefeitura, acentua antigas crateras e causa novas deformações nas vias. Mas, os riscos não estão apenas nas pistas. Moradores e comerciantes do Largo Dois de Julho ficaram apreensivos após a queda de uma árvore, na madrugada de ontem. Não houve danos ou vítimas, entretanto, outras árvores antigas ameaçam cair a qualquer momento.  

 Há cerca de seis meses o vendedor de frutas e verduras, Manuel Pereira, levou um susto quando teve sua barraca atingida por uma árvore. “Ela partiu minha barraca no meio, tive um prejuízo de mais de R$ 1 mil”, conta, preocupado, com novos acidentes. Desta fez o comerciante teve mais sorte, o fato ocorreu antes que ele chegasse ao local, por volta das 4h40.  O também barraqueiro Raimundo dos Santos disse que já solicitou diversas vezes que a prefeitura cortasse as árvores do Largo. “São vegetações muito antigas, que não resistem à chuva e o vento forte. São um perigo para quem vive aqui”, ressalta. 

Até o final da tarde de ontem, a Defesa Civil de Salvador (Codesal) já havia registrado 40 solicitações de emergência. Foram seis ameaças de desabamento de imóvel, duas ameaças de desabamento de muro, três ameaças de deslizamento de terra, duas ameaças de queda de árvore, uma árvore caída, um desabamento de muro, um desabamento parcial, quatro deslizamentos de terra, um incêndio e uma infiltração. Não houve registros de vítimas.

Os chamados vieram dos bairros de Paripe, Fazenda Grande III, São Caetano e Periperi e Boa Vista de São Caetano, onde houve um desabamento de muro. O único desabamento de imóvel registrado foi parcial e ocorreu em Periperi, na Rua Manuel Paulo.

O tempo instável deixa a terra encharcada e aumenta os riscos de deslizamento de terra, além dos alagamentos de áreas, em diversos pontos da cidade, principalmente em encostas e comunidades próximas de rios.  No bairro de Novo Marotinho os moradores estão assustados com a chuva e temem por uma tragédia. O local já foi vistoriado pela Codesal, que orientou algumas pessoas a deixarem os imóveis localizados nas áreas de risco, mas, muitos ainda resistem em abandonar suas casas.  

Tensão nas encostas e em áreas arborizadas e muita atenção ao volante. Assim tem sido a rotina do soteropolitano nos últimos dias. Em alguns locais, a prefeitura já iniciou as intervenções, em outros problemas e os riscos ainda persistem. Na Avenida Lucaia o trânsito esteve lento durante toda a manhã de ontem por conta da buraqueira na pista. O mesmo ocorre em alguns pontos das Avenidas Contorno, nos dois sentidos. 

Nas avenidas Estados Unidos e Jequitaia, no bairro do Comércio, o asfalto está bastante danificado e em alguns pontos há buracos profundos e arriscados. Próximo ao Ministério da Fazenda, sentido Túnel Américo Simas, uma cratera aberta exige cuidado redobrado dos motoristas.

Os estragos estão em diversas ruas do bairro da Calçada. Na rua principal, próximo ao Corpo de Bombeiros, sentido São Joaquim-Calçada, uma abertura no meio da pista, chama a atenção de quem passa no local. 

Na Oscar Pontes as deformações estão espalhadas por praticamente toda via, ao longo de mais de 1 km, no trecho entre o Terminal Marítimo de São Joaquim e a sede da Polícia Federal.   

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