Tribuna da Bahia/Noemi Flores
Muitas tradições de São João estão desaparecendo com a evolução do tempo ou seja por cautela, para evitar grandes danos como incêndios, no caso dos balões, ou para preservação do meio ambiente e acidentes, no caso das fogueiras, principalmente em grandes cidades. Quem pôde acompanhar as festas em décadas passadas, há 30 ou 40 anos, encontrou muitas fogueiras na cidade, inclusive em bairros centrais como Tororó, Barris, Saúde e Nazaré.
É o que conta o bancário Mauricio Fernandes de Souza, 58 anos: “Era comum se festejar todos os santos juninos (Santo Antônio, São João e São Pedro) com fogueiras e muitos fogos. Naquela época, por exemplo, não existia a Estação da Lapa e ali tinha muito espaço aberto, apropriado para os moradores, tanto do Tororó como dos Barris fazerem fogueira e soltar muitos fogos ao ar livre”.
Ele que passou sua infância no interior e adolescência em bairros com vastas áreas campestres concorda que hoje deve se lutar para a preservação do meio ambiente, mas acha que as fogueiras podem ainda ser acendidas desde que em áreas apropriadas, onde não haja moradores por perto e que sejam utilizadas madeiras velhas, como se fazia antigamente.
Em relação ao perigo das fogueiras para o meio ambiente, o superintendente do Ibama na Bahia, Célio Costa Pinto, aconselha as pessoas a abandonarem esta tradição já que causa tanto prejuízo para o meio ambiente. Para ele, além do risco de acidentes, doenças respiratórias, as pessoas podem estar cometendo um crime ambiental ao arrancar árvores nativas e a legislação está severa em relação a isto com penas e multas, tanto para quem vende como para quem adquire.
Porém, se tiver um local adequado para acender a fogueira e que não haja risco nenhum se deve utilizar material extraído das chamadas madeiras “mortas”, isto é, refugos ou restos de madeiras, que já foram usadas em construções ou cercados, bem como os restos de podas, ou seja todos materiais que não têm mais utilidade. Há também a alternativa do uso de madeiras de árvores exóticas, como pinus e eucalipto, que são facilmente encontradas no mercado para este fim.
Fim dos balões
Outra tradição que sempre encantou gerações passadas e não se vê mais, principalmente em Salvador, só como ornamento, é a utilização de balões coloridos, verdadeiros espetáculos para quem observava de longe. Este costume foi trazido pelos portugueses para o Brasil, geralmente se usa uma tocha que é chamada de bucha e é feita de estopa e parafina. Este material é responsável por aquecer e dilatar o ar dentro do balão. O balão consegue subir por que a pressão na superfície interior do invólucro fica maior do que a exterior.
Segundo a história, os balões serviam para avisar que a festa iria começar; eram soltos de cinco a sete balões para se identificar o início da festança. No entanto, atualmente são proibidos por lei em muitos locais, devido ao risco de incêndio, pois podem cair em usinas petrolíferas e em imóveis, causando incêndios e tragédias.
De acordo com a assessoria de Comunicação do Corpo de Bombeiros de Salvador esta prática não ocorre muito em Salvador, acontece mais no Sul do país, por isto não há muito ocorrência de quedas de balões registradas na cidade. Mas continua alertando as pessoas para cautela com os fogos de artifício que podem causar uma série de acidentes.
