Os cristãos enfrentam uma sufocante combinação de opressão islâmica, antagonismo étnico, paranoia ditatorial e corrupção e crime organizado

  • Tipo de Perseguição: Opressão islâmica, paranoia ditatorial, corrupção e crime organizado, antagonismo étnico
  • Capital: Abuja
  • Região: África Subsaariana
  • Líder: Muhammadu Buhari
  • Governo: República presidencialista
  • Religião: Islamismo e cristianismo
  • Idioma: Inglês, iorubá, igbo, hausa, fulani
  • Pontuação: 80

POPULAÇÃO: 200,9 MILHÕES
POPULAÇÃO CRISTÃ: 93,8 MILHÕES

Com 80 pontos, a Nigéria se classificou em 12º lugar na Lista Mundial da Perseguição 2020. No ano anterior, também estava em 12º, com 80 pontos. Os pontos de perseguição média permaneceram em 12,7, refletindo principalmente a pressão na vida dos cristãos que vivem em comunidades predominantemente muçulmanas no Norte. A pontuação para violência também permaneceu a mesma com 16,7, o máximo possível. A violência contra os cristãos pelo Boko Haram e pastores de cabra fulani, assim como por “atiradores desconhecidos”, tem causado muita dor entre os cristãos na parte nordeste do país e no Cinturão Médio, se espalhando até mesmo para estados do sudeste.

Em termos de tipos de perseguição, os cristãos enfrentam uma sufocante combinação de opressão islâmica, antagonismo étnico, paranoia ditatorial e corrupção e crime organizado.

Há muitos anos, há um processo contínuo de islamização forçada na Nigéria. Algumas pessoas se referem a isso como “jihad Dan Fodio”. Antes da chegada da administração colonial britânica, Usman Dan Fodio, um estudioso radical islâmico fulani, começou uma jihad islâmica em Gobir, em 1804. Por volta de 1808, ele tinha estabelecido o Califado Sokoto. Ele votou para impor o islamismo por meio da espada do deserto do Saara, no Norte, até o Oceano Atlântico e no Sul. Essa islamização forçada ganhou um grande impulso com a declaração da sharia (conjunto de leis islâmicas) no Nordeste da Nigéria, com início em 1999. Desde então tem se desenvolvido gradualmente, de maneira violenta ou não.

Durante a presidência de Muhammadu Buhari, que começou em 2015, esse processo ganhou um impulso sem precedentes. Além do que já estava acontecendo, o governo criou liberdade extra ao permitir uma rígida atmosfera de impunidade para atos de violência hediondos dos quais muitos nigerianos são vítimas, mas principalmente cristãos. A maioria da violência é no Norte, na forma de ataques do Boko Haram e dos pastores de cabra fulani, mas também está se espalhando no Sul. Essa violência geralmente resulta em mortes, lesões corporais, bem como perda de propriedade. Como resultado da violência, os cristãos também são despojados de suas terras e meios de sustento.

Os cristãos no Norte da Nigéria, especialmente nos estados onde a sharia (conjunto de leis islâmicas) governa, enfrentam discriminação e exclusão como cidadãos de segunda classe. Os cristãos ex-muçulmanos também enfrentam a rejeição de suas próprias famílias, que os pressionam a desistir do cristianismo. Além disso, desde 2015, o Governo Federal do presidente Buhari tem seguido uma política de escolher apenas muçulmanos para certos cargos críticos, que incluem agências de segurança, como o exército, força aérea, polícia, serviço de imigração, Serviço de Segurança do Estado, alfândega, Corpo de Segurança e Defesa Civil, serviço prisional, etc. O mesmo se aplica para o judiciário da Nigéria.

Agora, jovens cristãos começaram a se defender contra os ataques violentos do Boko Haram, fulanis e bandidos, a narrativa se torna confusa, e o risco de perseguição surge. A perseguição eclipse é promovida classificando o que está acontecendo no país como “violência sectária”, “confrontos comunitários” ou “agitação civil”. Seria mais específico falar de “limpeza étnica” regional, com intenção de abranger todo o país.

“Eu acredito que se eu me comprometer e submeter a Deus, ele me ajudará em tudo o que eu faço.”

VICTORIA, VIÚVA CRISTÃ NIGERIANA

Devido ao seu tamanho e recursos humanos e naturais, a Nigéria tem potencial para ser uma força enorme no continente. No entanto, a instabilidade política, a insegurança e a corrupção desenfreada que caracterizaram o país durante décadas ainda persistem e enfraquecem a Nigéria consideravelmente.

As tensões regionais, étnicas e religiosas, e a competição entre os políticos ampliam o problema. A maneira como essas questões forem abordadas determinará se a Nigéria poderá ou não realizar o seu potencial e se tornar um país próspero e estável. No entanto, tudo indica que a Nigéria continuará a ser um país que luta para não afundar.

NOTAS SOBRE A SITUAÇÃO ATUAL

  • Em 13 de fevereiro de 2019, em Gusau, no estado de Zamfara, bandidos sequestraram e mataram um líder cristão de Sokoto. A esposa e filhos também foram sequestrados e seu paradeiro é desconhecido.
  • Em 29 de abril de 2019, em Madagali, no estado de Adamawa, perto das 17h40, combatentes do Boko Haram invadiram a comunidade Kuda, que é predominantemente cristã.
  • Mais de 30 casas foram incendiadas e 23 pessoas foram mortas, 20 delas cristãs. Moradores deixaram a vila para buscar refúgio em Gulak e outras partes mais seguras no estado.
  • Em 8 de maio de 2019, em Lau, no estado de Taraba, um conflito entre pastores de cabra fulani e um agricultor de Kona foi o gatilho para ataques, e atos de represália continuaram por semanas. O resultado foi 65 mortes, sendo a maioria cristã, e 18 vilas incendiadas, com 15 igrejas, duas escolas primárias e um centro de saúde destruídos. Forças de segurança que foram implantadas na área não interviram. Pelo contrário, em junho de 2019, muitos jovens kona foram presos durante protestos contra a violência e falta de ação das autoridades locais.
  • Em 28 de setembro, em Riyom, no estado de Plateau, três deslocados internos foram mortos por um atirador. Sua comunidade foi destruída por pastores de cabra fulani em 2018, e eles continuam em outras comunidades. Entretanto, os moradores, que querem voltar para a própria vila, começaram a reconstruir suas casas. Por semanas, um grupo de rapazes guardou as propriedades à noite e vigiou a área por segurança. Três deles foram emboscados.
  • Em 3 de outubro de 2019, em Chikun, no estado de Kaduna, um atirador fulani sequestrou seis alunas e dois professores da Engravers College Kakau, uma escola de ensino médio comandada por cristãos. Os sequestradores invadiram o internato por volta de meia noite quando a maioria das estudantes e professores estava dormindo. Elas foram soltas, após o resgate ser pago. Nos últimos anos, grupos armados realizaram incontáveis sequestros por resgate ao longo da estrada de Kaduna e Abuja, e no processo mataram algumas de suas vítimas.

Motivos de oração:

  • Diversos cristãos são sequestrados e mortos. Ore pela segurança dos cristãos e também pelas famílias que não sabem do paradeiro de seus familiares ou perderam entes queridos.
  • Grupos islâmicos radicais invadem comunidades cristãs e, em seu rastro de destruição, deixam vilas destruídas pelo fogo, além de mortos e feridos. Apresente cada um desses irmãos e irmãs ao Senhor, para que eles sejam curados de seus traumas e recebam provisão do pai para reconstruírem seus lares.
  • Por conta dos ataques de radicais islâmicos, a Nigéria possui muitos deslocados internos. Além de não estarem em suas casas e cidades, muitos são ainda mais vulneráveis pelo fato de serem cristãos. Peça ao Senhor que os proteja e que eles possam retornar aos seus lares em segurança.

Fonte: Portas Abertas