Por Wal Cordeiro

Assistindo a uma reportagem, há algum tempo, sobre uma mulher do interior de São Paulo, catadora de papel, que encontrou uma sacola de lixo próxima a um supermercado, contendo mais de quarenta mil reais em dinheiro. Fiquei emocionado e chateado com o desfecho da história.

Aquela mulher deu uma lição de bondade e honestidade para milhões de brasileiros.
Mesmo vivendo num pobre casebre de uma favela e dependendo, unicamente, do seu árduo trabalho de catar papel pela cidade para sobreviver, a jovem senhora não hesitou em devolver o dinheiro encontrado.

O que mais me deixou estarrecido com essa história não foi, simplesmente, a devolução do dinheiro, mas a forma como a mulher foi tratada e recompensada pelos donos do supermercado. Pasmem, mas a gerente ao receber os quarenta mil reais de volta (dinheiro que estava basicamente perdido) deu para a honesta mulher, uns míseros duzentos reais de recompensa. Se, chama isso de recompensa.

Bondade deveria estar no coração de todos, mas não está. Se eu fosse o dono daquele supermercado, o mínino que faria por aquela mulher seria:
– Abençoá-la, por um ano, com uma feira mensal;
– Daria um emprego fixo de faxineira para ela;
– Recompensaria com pelo menos dez mil reais.
O dinheiro estava perdido, pois qualquer outro que encontrasse numa sacola de lixo pela cidade, provavelmente, não devolveria. Então, os donos deveriam repensar e colocar a mão na consciência e valorizar de fato a quem merece, ou pelo menos fazer um marketing social com o ocorrido. Com certeza as vendas aumentariam expressivamente!
Dar apenas duzentos reais não é o justo. É muito pouco para quem devolveu quarenta mil reais.
Por isso que bondade é uma virtude, apenas, dos nobres. Os nobres são aqueles que de fato e verdade amam a Deus, pois Deus é amor. Bondade é uma mercadoria em fase de extinção nos supermercados da vida. Pense nisso!

Wal Cordeiro é autor de oito livros