
Ex-ministro da Justiça, José Eduardo Cardoso negou ter repassado informações sobre a Operação Lava Jato à ex-presidente Dilma Rousseff (PT). Ele ressalta que as declarações do casal de marqueteiros, João Santana e Mônica Moura, foram feitas justamente para que eles conseguissem fechar o acordo de delação. “É totalmente inverossímil. Eu não participei da coordenação da campanha em 2014, mas a orientação da Dilma era muito clara em petit comité: ‘não quero saber de discussão, na dúvida, não peguem contribuição, tudo transparente’. Ela dava essa ordem não apenas por convicção, mas porque estava no bojo de um processo em que isso [caixa 2], óbvio, daria problema. João Santana recebeu R$ 70 milhões declarados por uma campanha eleitoral. É muito dinheiro para ter esse caixa dois”, declarou em entrevista a O Globo. Na oportunidade, Cardoso afirmou que Santana tinha uma conta com a Odebrecht, negou que Dilma tivesse sugerido ao casal que mudassem a conta de país e declarou não ter qualquer conhecimento sobre caixa dois na campanha de 2010. “Eu participava da coordenação da campanha e minha função era cuidar do jurídico e acompanhar a presidente nas viagens. Eu nunca participei de reunião financeira. A orientação que a candidata tinha nunca foi de ter caixa dois. Eu nunca soube disso. Embora, historicamente, no Brasil se tenha caixa dois desde que Pedro Álvares Cabral chegou aqui”, comentou. O ex-ministro confirmou também que Dilma sentia medo de ser grampeada por algum adversário político e ressaltou que não pretende disputar algum cargo no próximo pleito. “Não tenho a menor intenção de participar da eleição de 2018. Esse tipo de situação que acontece no Brasil expulsa as pessoas da vida pública”, ressaltou.
