Foto: Fábio Rodrigues Pozzebom / ABr
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Juiz federal Sérgio Moro
O juiz federal Sérgio Moro afirmou que há provas do envolvimento do publicitário João Santana e de sua mulher e sócia Monica Moura ’em atividade ilícita que remonta pelo menos a 2008 e se estende até 2015 pelo menos’. Nesta quinta-feira, 3, Moro decretou a prisão preventiva dos ex-marqueteiros das campanhas presidenciais de Lula (2006) e de Dilma (2010 e 2014). O casal foi preso na semana passada na Operação Acarajé, 23.ª fase da Lava Jato, mas estava em regime de custódia temporária. “As condutas se revestem de especial gravidade em concreto”, assinalou Moro, referindo-se a recursos supostamente ilícitos que João Santana recebeu em campanhas eleitorais via offshore Shellbill, em conta bancária na Suíça. “Os valores são muito expressivos. Agrava o quadro a probabilidade de que esses pagamentos tenham servido para remunerar os serviços prestados por João Santana e Monica Moura em campanhas do Partido dos Trabalhadores, com afetação do processo político democrático.” A Polícia Federal identificou em planilhas apreendidas com um dos alvos da Acarajé US$ 7,5 milhões na conta da Shellbill outros repasses, entre 2014 e 2015, que somam R$ 22,5 milhões. “As condutas foram ainda praticadas com sofisticação, com a utilização de contas secretas no exterior e pagamentos em reais no Brasil de modo subreptício”, destacou Sérgio Moro no despacho em que converte a prisão temporária em preventiva para os marqueteiros do PT. “A destinação de recursos de origem criminosa ou mesmo recursos não contabilizados para campanhas políticas é algo muito grave e nada tem de banal.”. O juiz observou que a Operação Lava Jato identificou ‘elementos probatórios que apontam para um quadro de corrupção sistêmica, nos quais ajustes fraudulentos para obtenção de contratos públicos e o pagamento de propinas a agentes públicos, a agentes políticos e a partidos políticos, bem como o recebimento delas por estes, passaram a ser pagas como rotina e encaradas pelos participantes como a regra do jogo, algo natural e não anormal’. Fonte: Estadão.
