Cerca de 90 mil civis fugiram dos confrontos no norte de Mianmar protagonizados pelos rebeldes e pelo exército há vários dias, segundo informaram nesta quarta-feira autoridades locais birmanesas.

Uma menina chora no ombro de seu pai enquanto eles esperam para ser evacuados por uma equipe de resgate voluntário após os combates entre rebeldes e forças do governo, em Laukkai, em 17 fevereiro Foto: AP
Uma menina chora no ombro de seu pai enquanto eles esperam para ser evacuados por uma equipe de resgate voluntário após os combates entre rebeldes e forças do governo, em Laukkai, em 17 fevereiro

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Cidades e povoados inteiros foram evacuados e os refugiados se deslocaram até a cidade de Lashio, a 140 km de distância de Laukkai, epicentro dos combates que foram retomados no último 9 de fevereiro nesta região, afirmou um jornalista da AFP.

Segundo um deputado local, mais da metade da população da localidade de Laukkai haveria abandonado a região, uma fuga que as vezes acontece em meio a ataques do combate.

Além disso, um comboio da Cruz Vermelha local que havia chegado para dar assistência a uma centena de pessoas que tentavam fugir foi alvo de tiros na terça-feira no final do dia, segundo contaram alguns refugiados à AFP.

Crianças tomam café em um campo de refugiados na cidade de fronteira da China com Mianmar, em 18 de fevereiro Foto: AP
Crianças tomam café em um campo de refugiados na cidade de fronteira da China com Mianmar, em 18 de fevereiro

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“É um milagre termos saído ilesos. Estávamos agachados dentro do caminhão. O motorista foi atingido pelas balas e havia muito sangue”, contou nesta quarta-feira à AFP Maung Ying, que encontrou refugio em Lashio, a dezenas de quilômetros dali.

O exército e os rebeldes se acusaram mutuamente de ter aberto fogo contra os veículos no sul de Laukkai.

Pessoas viajam em um caminhão para um campo de refugiados, na cidade de fronteira da China com Mianmar, Nansan, na província de Yunnan, em 18 de fevereiro Foto: AP
Pessoas viajam em um caminhão para um campo de refugiados, na cidade de fronteira da China com Mianmar, Nansan, na província de Yunnan, em 18 de fevereiro

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“Os militares reforçaram sua presença com taques e artilharia pesada. Pensamos que haverá mais combates”, declarou Tar Parn Hla, porta-voz do exército de libertação Ta’ang, que combate ao lado dos rebeldes de Kokang.

Cerca de 30.000 pessoas teriam atravessado a fronteira para refugiarem-se na província vizinha chinesa de Yunnan, o que preocupa Pequim, que vê nisto uma ameaça contra a segurança de suas fronteiras.

A situação cada vez mais preocupante para o poder, que enfrenta vários conflitos que ameaçam a difícil transição democrática iniciada em 2001 quando acabou o poder ditatorial do exército.

AFP

 

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