Faltando poucos dias para o maior evento esportivo, a Copa do Mundo, no qual muitos turistas estarão em Salvador para apreciar os jogos, também há uma preocupação de várias entidades em proteger as crianças e adolescentes da exploração sexual. Entre as cidades brasileiras que vão sediar o maior evento esportivo do mundo futebolístico, a capital baiana está na terceira colocação em casos de abuso e exploração sexual. Rio de Janeiro e São Paulo estão na primeira e segunda colocação, respectivamente.
Para isso, segundo o coordenador executivo do Centro de Defesa da Criança e do Adolescente (Cedeca), Waldemar Oliveira, mais de 300 profissionais de diversas áreas, que trabalham diretamente no atendimento aos turistas, estão sendo capacitados para orientar os visitantes para a conscientização sobre a exploração sexual. Cartazes, folhetos e adesivos serão distribuídos em bares, hotéis, Centros de Atendimento ao Turista, rodoviárias e aeroporto em Salvador e na Região Metropolitana.
Para chamar atenção da sociedade, no próximo dia 18, marca o Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes. “A prevenção da exploração sexual de crianças e adolescentes é um dos maiores e mais urgentes desafios a serem vencidos por nossa sociedade”, afirma Waldemar.
O número de denúncias tem aumentado através do disque 100 e também do 0800-2845551, contato do Cedeca. “É preciso que os governantes invistam em políticas públicas voltadas a essas meninas para que não se prostituam. A maioria delas, são oriundas de famílias muito pobres e por falta de dinheiro, e até mesmo para sanar as dificuldades vividas em casa, acabam se vendendo”, disse o coordenador do Cedeca.
O crescimento do turismo pode elevar os índices de exploração sexual de crianças. Segundo dados, 76% das crianças exploradas sexualmente são menores de 13 anos. “A capacitação dos profissionais para conscientizar o turista é muito importante, uma vez que diagnosticamos que muitos vêm ao nosso País em busca de explorar nossas crianças”, afirmou Waldemar.
“Um evento como este, a Copa do Mundo, é preciso que a sociedade também esteja em alerta para esses casos e denunciar se notar algo desse tipo. Sabemos que muitos turistas vêm com bons propósitos, de apreciar os jogos e a beleza da cidade, mas, existem os maldosos que aproveitam da situação para explorar sexualmente as crianças e adolescentes”, reforçou Waldemar.
Dados revelam que no Brasil, a exploração sexual de crianças e adolescentes ocorrem principalmente nas regiões de praias, nas fronteiras estaduais e internacionais. Em 2013, o Estado da Bahia contabilizou mais de três mil casos entre abuso e exploração sexual a menores. Pensando nisso, várias entidades estarão até o dia 18 desse mês, realizando seminários e campanhas voltadas ao assunto.
Camaçari e Feira de Santana
Com o objetivo de orientar e conscientizar, colaboradores, comunidades e usuários do Sistema BA-093, a Concessionária Bahia Norte também participa da campanha ao iniciar uma série de ações de conscientização e mobilização. As atividades serão executadas em parceria com o Ministério Público, Derba, Cedeca, Polícia Rodoviária Federal e Estadual.
A partir do dia 15 de maio serão distribuídos nas praças de pedágios, 50 mil folders informativos sobre o assunto, além da possível realização de palestras em oito escolas de comunidades localizadas no entorno das rodovias. Também serão realizadas blitze de cidadania na Ceasa do CIA, localizada na BA-526, no km 5,5, e no Posto Garoupa, localizado no Km 29 da BA-552, Distrito de Caroba.
O objetivo é conscientizar os motoristas que trafegam por essas rodovias e ampliar a divulgação do canal de denúncia à exploração sexual de crianças e adolescentes, através da colagem de adesivos do Disque 100, em veículos.
Segundo dados da Secretaria de Direitos Humanos (SDH), Feira de Santana e Camaçari são os municípios com mais ocorrências registradas de exploração sexual de crianças e adolescentes. O dia 18 de maio demarca a luta pelos Direitos Humanos de Crianças e Adolescentes no território brasileiro.
Esse dia foi escolhido porque em 18 de maio de 1973, na cidade de Vitória (ES), um crime bárbaro chocou todo o país ficando conhecido como o “Caso Araceli”. Araceli tinha oito anos e teve todos os seus direitos humanos violados. Foi raptada, estuprada e morta por jovens de classe média alta daquela cidade. O crime, apesar de sua natureza apavorante, até hoje está impune.
Fonte: IG
