Janaina Garcia
Do UOL, em Salvador

Reunidos a portas fechadas desde as 16h desta quinta-feira (9), policiais militares da Bahia decidiram manter a greve iniciada há dez dias no Estado. A decisão saiu em uma assembleia realizada no ginásio de esportes do Sindicato dos Bancários, no centro da capital, da qual a imprensa foi impedida de participar. Após a decisão, os grevistas saíram em passeata pelas ruas da cidade.

O posicionamento foi tirado pouco mais de 12 horas após PMs acampados desde o dia 31 na Assembleia Legislativa terem deixado o local. Duas lideranças foram presas na manhã desta quinta. Hoje mais cedo, policiais já haviam se manifestado sobre a manutenção da greve, mas a decisão oficial só foi estabelecida após a assembleia.

A greve na Bahia foi deflagrada na terça-feira, dia 31 de janeiro, por parte da categoria. Doze mandados de prisão foram expedidos contra policiais militares que lideram o movimento, considerado ilegal pela Justiça. As prisões foram decretadas pela juíza Janete Fadul. Todos são acusados de formação de quadrilha e roubo de patrimônio público (carros da corporação). Além dos crimes, os policiais devem passar por um processo administrativo.

 

Para encerrar a paralisação, os grevistas pedem a incorporação de gratificações ao salário e a concessão da anistia administrativa para os envolvidos. Segundo o governo estadual, a principal reivindicação dos policiais, que era a implantação de duas gratificações (a Gratificação de Atividade Policial-GAP 4 e 5), foi concedida de forma escalonada até 2015. “Com muito esforço orçamentário, ofereci entre 2012 e 2015 o atingimento no contracheque dessas duas gratificações”, disse o governador Jaques Wagner (PT). Os grevistas, contudo, exigem que a GAP 4 seja paga imediatamente e a GAP 5, no início de 2013.

“Todo ano o governo retira salário nosso de GAP e transfere para o soldo. Isso não dá nunca um aumento real, só uma transferência”, disse um grevista que não quis se identificar.

A questão da anistia foi relativizada após a divulgação de áudios que mostraram um dos líderes do movimento incentivando atos de vandalismo. A presidente Dilma Rousseff se manifestou nesta quinta-feira contra a anistia aos grevistas.

O governo reiterou que os policiais envolvidos em casos de vandalismo serão punidos. “Os policiais que participaram legalmente, dentro das regras do processo reivindicatório, não têm com o que se preocupar. Mas todos aqueles condenados pela sociedade baiana que depredaram, quebraram e intimidaram a população devem ser investigados. Não há como falar em perdão quando se fala em atos de vandalismo”, disse Wagner.

Após a assembleia, um dos grevistas negou que a categoria queria anistia irrestrita a todos os manifestantes. “O que está maculando a imagem da corporação é isso: queremos a anistia administrativa, nunca pleiteamos a anistia criminal. Quem cometeu crimes que responda por isso”, disse um deles.

A paralisação gerou um aumento da violência no Estado: houve registro de arrastões e aulas e shows foram cancelados. Os Estados Unidos chegaram a recomendar aos norte-americanos que adiem viagens “não essenciais” ao Estado. Em uma semana, o número de homicídios mais do que dobrou na região metropolitana de Salvador, segundo estatísticas oficiais do governo.

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