CARTA CAPITAL
Bandalheira fardada
Porque está parado o inquérito que investiga sete generais por corrupção. E o caso do major que ganha 12 mil reais por mês e tem patrimônio de 10 milhões de reais.
Desde 15 de agosto, a Procuradoria-Geral da República analisa uma representação encaminhada pelo Ministério Público Militar. Trata-se de um pedido de investigação “em desfavor” do comandante do Exército, general Enzo Martins Peri, citado num espinhoso escândalo de corrupção, talvez o mais ruidoso da Força em seus 363 anos de história. Ao todo, 25 oficiais de variadas patentes, incluindo sete generais e oito coronéis, são suspeitos de integrar um esquema que fraudou licitações, superfaturou contratos, fez pagamentos em duplicidade e pode ter desviado dos cofres públicos ao menos 15 milhões de reais entre 2003 e 2009, segundo os cálculos do Tribunal de Contas da União (TCU).
O rombo, na verdade, pode ser maior. Apenas um dos envolvidos no escândalo, o major Washington Luiz de Paula, acusado de montar a rede de empresas fantasmas beneficiadas no esquema, acumulou uma fortuna pessoal que surpreendeu os investigadores.
Dados obtidos por CartaCapital revelam que o militar, com renda bruta mensal estimada em 12 mil reais, teria cerca de 10 milhões de reais de patrimônio em imóveis, incluindo um apartamento na Avenida Atlântica, em Copacabana, bairro nobre na zona sul do Rio, estimado em modestos 880 mil reais, certamente por falta de atualização. Seria proprietário ainda de duas casas na Barra da Tijuca, avaliadas em 2,9 milhões de reais cada. Em nome de seu sogro, que recebe uma aposentaria de cerca de 650 reais, estaria registrado um luxuoso apartamento de 2,8 milhões de reais na Barra (organograma à pág. 29). O inquérito que apura o caso revela, ainda, que o major movimentou mais de 1 milhão de reais em sua conta em apenas um ano.
Fadado a decidir se indicia ou não o chefe do Exército, o procurador-geral Roberto Gurgel terá ainda de tomar uma posição também sobre o foro privilegiado dos generais, que só podem ser julgados pelo Superior Tribunal Militar (STM), onde até agora um único general foi condenado, e posteriormente absolvido no Supremo Tribunal Federal (STF).*
A eleição, como fato econômico
Em 8 anos, os recursos declarados quintuplicaram
Crise e troca de comando na polícia
Saiba como a participação de policiais na morte da juíza Patrícia Acioli leva à renúncia do comandante da PM no Rio de Janeiro
O comandante da Polícia Militar do Rio de Janeiro, Mário Sérgio Duarte, pediu exoneração do cargo na noite da quarta-feira 28. O pedido ocorreu após a repercussão negativa das investigações envolvendo o assassinato da juíza Patrícia Acioli, famosa pelas várias condenações de policiais delinquentes. De acordo com a Divisão de Homicídios, o crime teve a participação de sete PMs e foi ordenado pelo tenente-coronel Cláudio Luiz Silva de Oliveira, ex-comandante do 7º BPM (São Gonçalo). Após a morte da magistrada, ele foi redirecionado pelo próprio Duarte para o comando do 22º BPM (Maré), um batalhão de maior visibilidade.
Em entrevista à rádio Band News FM, Duarte criticou a falta de diálogo entre a Corregedoria da PM e o comando da corporação e garantiu não ter qualquer tipo de “relação pessoal” com o tenente-coronel acusado de ter ordenado a morte da juíza. Os dois foram colegas do curso de treinamento do Bope, em 1989. O ex-comandante da PM fluminense também argumentou que a transferência de Oliveira foi um procedimento de rotina, mas, segundo a Secretaria de Segurança Pública do Rio, ele próprio teria reconhecido o “equívoco” na nomeação e estaria “ciente do desgaste institucional decorrente de sua escolha”.
Pré-sal: O impasse dos royalties
The Economist: Os desafios da ascensão dos emergentes
Bolívia: O índio Evo Morales reprime protestos indígenas
Seria inimaginável no primeiro mandato de Evo Morales. O país e o governo em crise e não pela rebelião das tradicionais elites criollas, mas por situação similar à que levou à queda de Sánchez de Lozada em 2003 e abriu caminho aos movimentos populares que levaram o MAS ao poder em 2006: excesso na repressão a indígenas. E estes se rebelam em nome da preservação de sua reserva e do meio ambiente, bandeira que o atual governo sempre empunhou no país e no exterior como defensor intransigente da Pacha Mama (Terra Mãe), como diz Evo, na ONU e nos fóruns ambientais internacionais.
Em 3 de junho começou a construção dos trechos 1 e 3 de uma estrada de 306 quilômetros que ligaria Cochabamba a Bení. A obra tem custo estimado em 415 milhões de dólares, 322 milhões dos quais financiados pelo BNDES. A construtora é a brasileira OAS, única empresa a participar da licitação em 2008. A obra do trecho 2, de 177 quilômetros e 40% do valor, começaria em agosto de 2012 e atravessaria o Tipnis (Território Indígena Parque Nacional Isiboro Sécure), reserva de 1,091 milhão de hectares onde vivem 13 mil indígenas das etnias moxeño, yurakaré e chimane. Não houve consulta prévia aos indígenas, nem estudo de impacto ambiental.
