Bruno Lousada e Sílvio Barsetti / RIO – O Estado de S.Paulo

A incidência de doping por uso de cocaína em atletas preocupa os dirigentes do Comitê Olímpico Brasileiro (COB). Durante palestra ontem, no auditório da entidade, no Rio, o médico Eduardo de Rose, um dos fundadores da Agência Mundial de Controle de Dopagem (Wada), disse que a droga se destaca na lista das substâncias estimulantes detectadas em exames realizados no Brasil em 2010.

Ele também fez um alerta sobre um novo desafio no combate ao doping no esporte. Afirmou que uma rede clandestina à disposição de atletas de ponta de todo o mundo oferece substâncias que ainda não chegaram ao mercado e estão em fase de pesquisa em laboratórios.

Por telefone, depois da palestra, Rose disse ao Estado que o consumo de cocaína entre atletas do País é maior que o da média mundial. “A cocaína também pode ser considerada uma droga social.”


Responsável pelo programa antidoping do COB, Rose cobrou a criação da
Autoridade Brasileira de Controle de Dopagem (ABCD) para a elaboração de um
plano de repressão ao comércio ilegal. “Tem de haver uma ação conjunta entre a
Autoridade, Ministério Público Federal (MPF), Polícia Federal e Interpol.”
Há dois anos, o governo federal estuda o projeto. No entanto, a ABCD ainda
não saiu do papel. Na semana passada, o ministro do Esporte, Orlando Silva, se
reuniu em Brasília com integrantes do Comitê Olímpico Internacional (COI) e da
Wada para tratar do assunto. Na ocasião, ele assegurou que o governo está
agilizando o envio do projeto de lei para constituir a Autoridade Brasileira de
Controle de Dopagem.
O médico lamentou o atraso do Brasil no combate ao doping. “Estamos talvez
uns 10 anos atrás em controle de doping. Não usamos informação, nem temos uma
espécie de disque-denúncia. Também não trabalhamos com sangue. Temos de
avançar.”
Por causa disso, de acordo com De Rose, o Brasil registra números de casos de
doping inferiores à média internacional. “Nosso sistema de controle está
defasado.”
Dificuldade. O superintendente executivo de esportes do COB, Marcus Vinícius
Freire, mandou ontem um recado nada animador para quem deseja ver o Brasil
brilhando nos Jogos de Londres, em 2012: o desempenho do País deve ser
equivalente ao da Olimpíada de Pequim, em 2008, quando conquistou 15 medalhas ao
todo e ficou em 23.º lugar na classificação.
A meta para os Jogos de 2016 é mais ousada: ficar entre os dez primeiros.
Para isso, segundo o dirigente, o Brasil precisa conquistar pelo menos mais 15
medalhas em relação ao que faturou em Pequim.
“Nas modalidades contempladas com 15 medalhas em 2008 (judô, vôlei, vôlei de
praia, atletismo, natação, futebol, vela e tae kwon do), temos de ganhar mais
dez. E conseguir pelo menos cinco nos outros esportes”, disse Freire, convicto
de que o Brasil em 2016 vai surpreender.
Freire contou que um dos objetivos do COB na busca por resultados em 2016 é o
intercâmbio de atletas. Citou como exemplo quatro jovens brasileiros que moram
na Suíça, com despesas pagas pela entidade, para ganhar experiência no BMX,
esporte praticado por bicicletas especiais em pistas de terra.

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