Silvana Blesa/Tribuna
No ano passado, houve a prisão de quatro pessoas, cinco quilos de cocaína, 3.210 pontos de LSD e um quilo de haxixi. As organizações criminosas internacionais elegem uma determinada nacionalidade, como maior parte da mão de obra da vez, para utilizarem no transporte de drogas pelos aeroportos brasileiros.
Assim, como buscam cooptarem as mulheres para a atuação como “mulas”, isso reflete no aumento das suas prisões em todo o país. Dados da Infraero dão conta que o aeroporto de Salvador, responde por mais de 30% da movimentação de passageiros do Nordeste.
Diariamente, cerca de 35 mil pessoas circulam pelo terminal do aeroporto, e mais de dez mil passageiros utilizam 249 voos domésticos e 13 internacionais. Com isso, é difícil de saber qual o passageiro que está transportando drogas, seja guardada em fundo falso das malas, escondidos em roupa, sapatos, pelo corpo ou até mesmo engolindo as cápsulas de cocaína.
O Delegado Federal Marcelo Werner, responsável pela Delegacia Regional de Combate ao Crime Organizado (Drco), revelou que vários agentes trabalham diariamente para reprimir essa prática ilícita. “Somente através das fiscalizações e com ajuda do aparelho de raio-X que conseguimos identificar drogas transportadas pelos traficantes.
Os agentes também ficam atentos à postura dos passageiros. Nervosismo, passando mal, inquietação, tudo isso evidencia que a pessoa possa está envolvida com alguma coisa errada. Também na entrevista de imigração, os fiscais usam táticas para perceber se o passageiro está a serviço do tráfico ou com outros fins”, disse o delegado pontuando que 1 kg de cocaína é vendido por 40 mil euros na Europa.
3º lugar no ranking de apreensões
O delegado se negou em dizer quantos agentes trabalham no aeroporto, mas salientou que muitos estão disfarçados de passageiros e alguns até ficam nas filas de embarque para poder obter alguma informação sobre os suspeitos. As investigações revelam que as pessoas contratadas pelo tráfico são, na maioria, de países da África.
Elas saem de Lisboa, em Portugal, e desembarcam em vários aeroportos brasileiros. E costumam receber a droga em São Paulo e outras fronteiras. Depois, vão para os principais aeroportos do Brasil para retornar a Lisboa. Segundo a PF, a maioria das pessoas é recrutada pela máfia nigeriana.
O aeroporto de Salvador já é o terceiro do país em quantidade de prisões e de drogas apreendidas, vindo atrás de São Paulo e Rio de Janeiro. As investigações da PF evidenciam que o aeroporto Luís Eduardo Magalhães esteja em primeiro no ranking do Nordeste, de mais usado como rota do tráfico.
Cientes de que o sexo feminino desperta menos suspeita da polícia, os chefões do narcotráfico começaram a arregimentar mulheres para o transporte de drogas no final da década de 80.
Já no início dos anos 90, deixou de ser surpresa em aeroportos nacionais a prisão de estrangeiras, principalmente as nigerianas, carregadas de cocaína. Perto de 78% das estrangeiras presas pela Polícia Federal entre 1990 e 2008 são mulheres “mulas”.
Como o Brasil deixou de servir de simples corredor para o envio de droga colombiana à Europa e aos Estados Unidos e passaram a ter “narcoexportadores” próprios, as “mulas” brasileiras também começaram a encher os presídios.
Werner disse que no caso das mulas, só são detectadas através dos exames de raio-X, realizado em hospitais. “Assim que os agentes percebem atitudes suspeitas num passageiro. Ele será interrogado e a depender do comportamento, passa pela revista pessoal e se suspeito de ter ingerido drogas, a pessoa é levada até um posto médico para fazer exames”.
Apenas as malas passam pelo raio-X no aeroporto. Essa carência de aparelhos eficientes para que a polícia checasse no ato do embarque, dificultam a repressão ao narcotráfico. O delegado acrescentou que no mês de julho desse ano um aparelho chamado Boriscan deve chegar no aeroporto para ajudar na fiscalização.
“Esse aparelho funciona como um raio-X e vai nos ajudar a identificar se a pessoa está com drogas escondidas no corpo. Acredito que no aumento da fiscalização e com ajuda de novos equipamentos, possamos diminuir essa prática usadas pelas quadrilhas”, finalizou o delegado.
Inglês flagrado com 13 kg de cocaína
No dia 12 desse mês, os agentes da Polícia Federal no Aeroporto de Salvador, apreenderam 13 quilos de cocaína, em poder de um turista inglês de 32 anos que tentava embarcar para Bruxelas, capital da Bélgica. Ele estava com doze tabletes de cocaína escondidos na mala e enrolada em uma manta de algodão dentro da bagagem.
No dia dez de maio, policiais federais prenderam a romena Selena Florenta Mahulea, de 21 anos, no aeroporto. Selena pretendia embarcar para Lisboa no voo TAP 156 e foi presa em flagrante com 756g de cocaína escondida no fundo falso da mala.
Outra prisão aconteceu no dia 14 de abril, os agentes prenderam Constanza Astrid Accardo. Ela tentava embarcar para Madrid, na Espanha, no voo UX0084 da empresa aérea AirEuropa transportando 2.565g de cocaína.
A droga estava acondicionada nas laterais e no fundo da mala. Ao furar a bagagem, não saiu pó, e sim um pouco de líquido, substância que reagiu para o alcalóide cocaína.
Constanza, que reside na cidade de Letícia, na Colômbia, teria sido contatada para receber a cocaína em Manaus e viajar para Salvador de onde embarcaria no mesmo dia para Madrid.
Cocaína preta – No dia 14 de fevereiro desse ano, Claudio Bianchi Monteiro, de 59 anos, foi preso em flagrante pela Polícia Federal, durante inspeção de rotina no Aeroporto Internacional de Salvador. Com ele, foram 8.975 kg de cocaína, escondidos em duas malas.
Com a ajuda do aparelho de Raio-X, foi possível detectar o entorpecente acondicionado na bagagem que estava vazia e apenas uma dentro da outra. Ao abrir a mala, foi constatada que a droga estava condicionada nas laterais.
A cocaína estava preta devido à utilização de corante para camuflar o entorpecente e impedir que os cães farejadores e até o raio-X detectasse a presença da droga. Claudio declarou que a cocaína seria oriunda do Paraguai e entrou no Brasil pelo Foz do Iguaçu/PR. De lá ele teria seguido até Campinas/SP de ônibus, quando então embarcou com destino a Salvador.
Segundo Werner, todos eles foram enquadrados como traficantes internacionais de drogas e pode pegar de 5 a 15 anos de prisão, podendo ser agravada de 1/6 para 2/3 a mais da pena, devido à internacionalidade.
