Tribuna da Bahia
O brilho e os confetes da folia de Momo parecem ter refletido na relação entre o poder municipal e estadual.
Apesar das vozes contrárias da instância do PT de Salvador, que reafirmam oposição ao poder que administra atualmente a capital baiana, o Carnaval deste ano mostrou a tendência cada vez mais forte de alinhamento político entre o Palácio Thomé de Souza e o Palácio de Ondina. Além da apontada fluidez na estruturação e organização conjunta da festa, o governador Jaques Wagner (PT) sinalizou uma possível parceria política com o prefeito João Henrique (PP) ao defender uma aproximação de seu partido com o executivo.
O gestor petista deixou claro que tem construído o caminho em torno de uma aliança, que deve ultrapassar a questão institucional. Durante a folia, Wagner destacou a importância de uma maior interação entre as duas gestões para planejarem juntas e com mais tempo de antecedência a maior festa de rua do planeta e ainda demonstrou disponibilidade para ajudar mais o município. Mesmo afirmando que não pode interferir nesse cenário político, e que respeita o posicionamento do diretório municipal do PT, o governador disse que o fato de o prefeito João Henrique pertencer hoje a um partido de sua base aliada ajuda bastante.
“Essas coisas não são automáticas e vale a pena lembrar que a filiação do prefeito ao PP é recente. Mas já que eu quero ajudá-lo, isso facilita. Quem quer crescer, quer juntar e não espalhar”, frisou. Wagner citou que fora consultado sobre o ingresso de João Henrique no novo abrigo. “E é claro que eu concordei. Quero ajudá-lo e ajudar a cidade. E é melhor que seja em um partido da base do que em um de oposição”, justificou. O governador mandou recado aos petistas que pensam em pleitear a prefeitura de Salvador em 2012 e a possibilidade de os progressistas os ajudarem nessa empreitada. “Como o PT tem postulações para 2012, eu acho de bom tom quem pretende ser candidato em 2012 agregar e a reciprocidade é uma coisa bem à política. Algumas vezes se apoia para depois ser apoiado”, afirmou. Entretanto, segundo o governador essa é uma demanda que depende do diretório municipal.
A atual relação com a prefeitura, após o rompimento com o PMDB também serve de tendência para este enlace. A prova é que na realização do Carnaval, segundo o próprio governador, não houve dificuldades ou resistências. A satisfação, diante dos resultados positivos do grande evento, que atraiu 500 mil turistas foi exaltada pelo governador. Segundo o chefe do executivo, mais uma vez, a alegria traduzida pelo povo e a capacidade de organização apresentaram uma festa com bons frutos. “Quero transmitir a impressão generalizada, que observei por todos os lugares em que passei, que foi a alegria dos patrocinadores e dos visitantes. Isso é espetacular”.

