Milhares de pessoas estão reunidas no centro do Cairo, capital do Egito, nesta terça-feira, dia em que deve ocorrer a maior manifestação contra o presidente do país, Hosni Mubarak, desde o início da onda de protestos que já dura uma semana.
A manifestação convocada para esta terça-feira espera reunir um milhão de egípcios. Pelo menos cinco mil já chegaram à praça Tahrir (ou praça da “Libertação”), epicentro dos protestos contra o regime de Mubarak, que está no poder há três décadas. Outra manifestação também foi convocada em Alexandria, a segunda maior cidade do país.

Multidão protesta contra Mubarak no centro do Cairo
Helicópteros militares sobrevoam a cidade e soldados controlam os pontos de acesso à praça. Na segunda-feira, o Exécito egípcio prometeu não usar a força contra os manifestantes e reconheceu “a legitimidade das demandas da população”, prometendo garantir “liberdade de expressão”. O comunicado não especifica quais demandas os militares veem como legítimas – mas a principal reivindicação dos manifestantes é a queda do presidente Mubarak.
Os organizadores dos protestos também convocaram uma greve geral, iniciada na segunda-feira, em um país que já está praticamente paralisado: a Bolsa e os bancos estão fechados, postos de gasolina estão sem combustível e os caixas eletrônicos estão vazios. Além disso, trens deixaram de funcionar e o último provedor de internet em funcionamento, o Grupo Noor, teve seus serviços interrompidos.
Diálogo
Após a declaração do Exército sobre “a legitimidade das demandas da população”, o governo propôs pela primeira vez dialogar com os manifestantes. O vice-presidente do Egito, Omar Suleiman, disse que Mubarak lhe pediu que inicie o diálogo com todos os partidos políticos, o qual incluirá temas como reforma legislativa e constitucional – exigências básicas feitas por manifestantes anti-Mubarak. As emendas constitucionais incluem reduzir restrições a candidaturas para a próxima eleição presidencial.
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“O presidente me pediu hoje (segunda-feira) para manter imediatamente contatos com as forças políticas para começar um diálogo sobre todas as questões levantadas, e que também envolvam reformas constitucionais e legislativas, de um modo que resultará em claras emendas e num cronograma específico para sua implementação”, disse Suleiman em um pronunciamento na TV.
Ainda na segunda-feira, Mubarak deu posse ao novo governo, substituindo um gabinete que havia sido dissolvido como concessão aos protestos antigoverno. O anúncio foi feito após os sindicatos egípcios convocarem uma greve geral no Cairo, Alexandria, Suez e Port Said.
A Irmandade Muçulmana, o grupo de oposição mais influente do Egito, rejeitou o novo governo e pediu que prossigam as manifestações para a queda do regime. “A Irmandade Muçulmana anuncia sua total recusa à composição do novo governo, que não respeita a vontade do povo”, diz o grupo em um comunicado.
Na modificação mais significativa do gabinete, o ministro do Interior – encarregado das forças de segurança internas – foi substituído. Um general de polícia reformado, Mahmoud Wagdi, foi nomeado no lugar de Habib el-Adly, que é amplamente rejeitado pelos manifestantes pela brutalidade mostrada pelas forças de segurança.
Ainda assim, é improvável que o novo gabinete satisfaça dezenas de milhares de manifestantes que saíram às ruas em todo o Egito para exigir a queda de Mubarak e de todo o seu regime.
Quando Mubarak anunciou na sexta-feira a dissolução do governo anterior e nomeou seu chefe de inteligência, Omar Suleiman, como vice-presidente, os manifestantes rejeitaram a medida a qualificando como uma tentativa de Mubarak, que governa o Egito de forma autoritária há 30 anos, para manter-se no poder.
A nova formação ministerial anunciada na televisão estatal incluiu autoridades leais ao regime de Mubarak, mas não mantém vários empresários proeminentes que tiveram postos econômicos e idealizaram as políticas de liberalização econômica das últimas décadas.
Muitos egípcios se ressentem da influência dos milionários magnatas-políticos, que eram aliados próximos do filho do presidente, Gamal Mubarak, muito tempo considerado seu herdeiro político.
No novo gabinete, Mubarak manteve seu ministro da Defesa de longa data, Field Marshal Hussein Tantawi, e o chanceler Ahmed Aboul Gheit. O ministro há mais tempo no gabinete, o titular de Cultura Farouq Hosni, foi substituído por Gaber Asfour, uma figura literária amplamente respeitada.
O mais famoso arqueológo egípcio, Zahi Hawass, foi nomeado para o Ministério de Antiguidades, um novo posto.
Com AP, BBC, Reuters, EFE e AFP
