Ascom/Sindicato do Bancários
A Secretaria Extraordinária para Assuntos da Copa do Mundo da FIFA Brasil 2014 (Secopa) iniciou ontem (15) o 2º Fórum Copa Bahia 2014. O evento, realizado em Salvador, tem como objetivo de dar continuidade à discussão permanente dos assuntos preparatórios para o Mundial de Futebol.
O Diretor de Imprensa do Sindicato dos Bancários, Eduardo Moraes, participa do evento e destaca a importância da comunidade conquistense ampliar a discussão sobre a participação da cidade na Copa de 2014. “Junto com o Esporte Clube Primeiros Passos, o Sindicato dos Bancários incentiva essa discussão e, desde 2007, já aventávamos a possibilidade da nossa cidade poder receber equipes do mundial”, lembra Moraes.
Para falar sobre detalhes do evento e apresentar as principais informações sobre a interiorização da Copa do Mundo na Bahia, o Sindicato dos Bancários entrevistou Everaldo Augusto, Chefe de Gabinete da Secopa.
Sindicato dos Bancários – Como as cidades baianas poderão participar da Copa 2014?
EA: Primeiro é preciso dizer que as cidades podem interagir com a Copa do Mundo mesmo não sendo a cidade sede dos jogos. Assim que forem sorteadas as chaves e nós ficarmos sabendo quais times que virão para Salvador, por exemplo, essas seleções virão ao Brasil em dois momentos. Um primeiro momento de aclimatação, ou seja, de treinamento, e aí, portanto, podem escolher qualquer cidade que seja de interesse da seleção para passar um período de 15 a 30 dias.
A seleção brasileira na África do Sul fez isso também. Foi para lá antes justamente para passar por esse período de aclimatação.
O segundo momento é o período que antecede os jogos propriamente ditos. O que é isso? A seleção vem disputar os jogos em Salvador, mas necessariamente a cidade na qual esse time vai treinar e ficar hospedado pode não ser Salvador. Geralmente, não é a mesma cidade que a seleção vai disputar. Agora, para fazer isso a cidade tem que obedecer determinadas exigências da FIFA, que tem um caderno de encargos, vamos dizer assim, específico: instalações hoteleiras, instalações de treinamento, ter um campo de futebol adequado… Essa rede hoteleira precisa disponibilizar espaços para conferências de imprensa, ter restaurantes que tenham determinada capacidade, precisa ter pessoal qualificado, enfim, uma questão fundamental é que essa cidade tenha facilidade de deslocamento até Salvador.
Sindicato dos Bancários – Vitória da Conquista é uma das candidatas. Quais as chances de poder interagir com o mundial?
EA: Vitória da Conquista está inserida em função da infra-estrutura que a cidade já tem. É uma cidade que já tem relativo desenvolvimento tecnológico por conta, também, das Universidades, tem um aeroporto que ao que tudo indica, sofrerá intervenção para melhor atender a população daqui até a Copa do Mundo, tem uma distância pequena em relação a Salvador, pequena do ponto de vista de deslocamento de avião.
A FIFA exige que a cidade seja distante cerca de uma hora de Salvador, então Conquista, também, preenche esse requisito. E, acima de tudo, o que vai contar é a determinação do poder público municipal de fazer com que a cidade possa ser esse campo de treinamento.
Então, é uma decisão política da prefeitura e de apoio, também, do empresariado, dos gestores de esporte e da população. Então, não pode ser uma coisa que somente o prefeito quer e ninguém mais se mobiliza. Ou, também, não pode ser uma coisa que apenas o empresariado local queira e o prefeito não esteja nem aí. É uma conjunção de vontades e decisões dos mais diversos segmentos da cidade, porque isso vai permitir que a cidade se beneficie.
Por que é importante que a cidade tenha um campo de treinamento ou base de aclimatação de uma seleção? Porque isso vai ter uma divulgação do ponto de vista estadual, nacional e internacional. A cidade vai ganhar atração de turistas e de outros eventos também importantes. Vai passar um período se beneficiando dessa situação. Agora, a negociação tem que ser feita diretamente coma s seleções. Nem a FIFA, nem o governo estadual ou ministério dos esportes vão interferir para influenciar a decisão da seleção.
Por exemplo, a Espanha vai jogar em Salvador, é a seleção espanhola quem vai decidir a cidade pela qual ela vai passar pelo processo de aclimatação e que vai ser base de treinamento e essa decisão passa por uma espécie de negociação entre a Espanha e as cidades candidatas. Então, o que essas cidades têm a oferecer? Nesse caso hipotético, a Espanha pode dizer, Conquista oferece melhores condições que Ilhéus. Então para nós é melhor Conquista. Enfim, são essas as condições.
Sindicato dos Bancários – Como o Governo do Estado está se organizando para essas discussões?
EA: Nós achamos que na Bahia cerca de 20 cidades preenchem completamente essas condições que a FIFA estabelece. O que não estiver preenchido de imediato, mas que, por uma decisão política de pleitear ser sede de treinamento ou de aclimatização vai criar condições para que daqui até 2014 para que esses problemas sejam resolvidos. Problemas de mobilidade urbana, de campos específicos, enfim, e qualquer outra dificuldade que a cidade passa a ter tem condição de ser superado daqui até lá.
Desde o momento que o Brasil foi escolhido como sede da copa do mundo os olhos da imprensa, da mídia, da indústria do entretenimento, do futebol, da indústria produtiva do esporte, voltará suas atenções para o Brasil. E a copa é um forte indutor de investimento público e privado, indutor do crescimento econômico.
Todos os países que sediaram a copa se beneficiaram antes, durante e, principalmente, depois da copa.
Então, A Copa do Mundo de Futebol é uma janela de oportunidades para todos ganharem: empresários da indústria hoteleira, do turismo, do comércio, do transporte, a população, o esporte. É com esse olhar que o Governo do Estado está investindo na preparação para a Copa do Mundo, porque nós achamos que essa é uma oportunidade que nós temos que tratar de problemas que Salvador e a Bahia tenham. Então, o foco da nossa participação, o foco da prefeitura ao candidatar sua cidade como ponto de treinamento para a copa, deve ser voltado para a construção de legado, não somente para a produção do espetáculo em si. Então, o que vai ficar depois do espetáculo é o legado econômico, social, esportivo, cultural, físico, de infra-estrutura urbana… Essa é a nossa preocupação principal e deve ser também a principal preocupação de qualquer cidade que pretenda interagir com a Copa do Mundo.
