O projeto Mirante da Paz que está sendo implantado no Alto das Pedrinhas, numa parceria inovadora entre a Polícia Militar, associação de moradores e empresários, tem um grande apoio do NEPA, que é presidida por Luis Moura, empreendedor social reconhecido em Todo Brasil. Conheça um pouco a história de Moura.
Quem é ele?
Luiz Geraldo de Oliveira Moura, 66 anos, administrador, engenheiro, veterinário, pesquisador e produtor cultural, divorciado, três filhos. Nasceu e mora em Fortaleza.
Criou o Nepa, que mobiliza comunidades para a construção de núcleos agroecológicos
Inovação: Trabalha para estabelecer o consumo consciente, construindo alianças eficazes entre produtores e consumidores de alimentos orgânicos
Impacto social: Em 13 anos, os 15 núcleos beneficiaram 4.000 pessoas em sete Estados
Sustentabilidade: Os núcleos são criados com patrocínio de uma empresa; o Nepa cobra 12% de consultoria por até dois anos, e os agricultores recebem contribuições mensais de R$ 45 a R$ 100 de 70 consumidores
Alcance: Das duas comunidades cearenses iniciais, os núcleos agroecológicos alcançaram os Estados de Goiás, São Paulo, Rio Grande do Norte, Paraná, Bahia e Pernambuco. Em 2004, a organização intercambiou metodologias com outros grupos da França.
Incubador de sonhos
Ex-executivo cria núcleos agroecológicos para fomentar o consumo consciente
POR PAULA LAGO
da Folha de S.Paulo
Luiz Geraldo de Oliveira Moura é homem de muitos focos. Nascido em Fortaleza, formou-se em engenharia eletrônica, administração e veterinária. Trabalhou numa multinacional por 20 anos.
“Foi meu primeiro e último emprego”, conta ele, que, após tantos anos de casa, pediu demissão. “Eu tinha que viver um outro sonho.”
Aos 66 anos, Moura é diretor-presidente do Nepa (Núcleo de Ensino e Pesquisa Aplicada). A organização social criada em 1996 não tem funcionários, mas voluntários que se dedicam, em suas áreas de especialização, a “melhorar a qualidade de vida de quem não pôde chegar aonde chegamos”, como define o empreendedor.
De fala calma, mas firme, e bom ouvinte, Moura lembra com orgulho que seus laços com a agricultura começaram na infância.
Hoje com três filhos e cinco netos, tem como referência, além dos avós, o educador Paulo Freire.
Adepto da pedagogia da paisagem, Moura procura observar e acompanhar como se dão as transformações dos projetos que coordena e, sempre com a participação dos atendidos, analisar os resultados.
São duas as suas frentes. Uma é o desenvolvimento da agricultura familiar, ao levar os princípios da agroecologia a pequenos produtores, mostrando como garantir o sustento plantando orgânicos, e ao incentivar os moradores de cidades a comprar esses produtos, unindo, na Aliança Social, as duas pontas da cadeia de consumo.
Confiança é o pilar principal dessa aliança criada por Moura, que equilibra produtores e consumidores preocupados não só com a saúde mas também com um consumo consciente.
“A alimentação é o elo comum, mas potencializa todas as possibilidades de desenvolvimento cultural e intelectual. Consumidor ou membro da família agrícola, a aliança promove o despertar das habilidades.”
Qual é o seu?
A outra frente tem o futuro como alvo: despertar, em jovens da periferia de Fortaleza e da zona rural de Maranguape (CE), a percepção de que eles podem modificar o entorno a partir de seus projetos.
“Qual é seu sonho?” é a primeira pergunta que Moura faz aos moradores das comunidades que atende. Uma vez identificado, o próximo passo é mostrar como torná-lo real.
No fim, o foco desse cearense é um só: realizar sonhos.
Moura está participando em Vitória da Conquista da implantação do projeto Mirante da Paz, um grande ganho social para a comunidade local.

