Tribuna/Fernanda Chagas
Após o presidente do PMDB, Lúcio Vieira Lima, soltar o “verbo” contra a gestão do prefeito João Henrique e admitir pela primeira vez uma possível reaproximação entre o gestor e o PT, do governador Jaques Wagner, ontem foi a vez do ex-ministro Geddel Vieira Lima reafirmar a insatisfação da legenda com o “correligionário”. O fato só reforçou a tese de que todos os caminhos levam para um futuro rompimento.
O bombardeio teve início com críticas severas à possibilidade de aumento de impostos em Salvador. Segundo Geddel, ao invés de aumentar os tributos, o prefeito deveria se empenhar em controlar as despesas e combater os desperdícios com corrupção.
“O que o povo quer é ver o dinheiro público ser investido em infraestrutura, em educação e saúde. Ver seus serviços básicos, melhorando”, disparou. Por tabela, ele afirmou que recomendará à bancada de vereadores da sigla que o assunto sequer seja tratado na Câmara Municipal e já ganhou apoio do presidente da Casa, Alan Sanches, que anunciou que, se procurado, “por ser um homem de partido, irá atender a orientação do PMDB”.
Ao ser questionado sobre o tão comentado “namoro” do prefeito com o PT, o ex-ministro foi taxativo: “Sobre o namoro só ele e Wagner podem responder, mas é nítido que, embora ele siga filiado ao PMDB, está cada vez mais próximo do governador. Ele (João) diz que o assunto é estritamente administrativo. Quando se tornar uma coisa política, eu me manifestarei”, ironizou.
Sem esconder a mágoa, Geddel fez questão de relembrar ainda que “João recebeu toda a nossa atenção e carinho quando passava por um momento difícil. Ele tinha uma rejeição enorme e nós trabalhamos e conseguimos garantir a reeleição.
Mas a gestão começou a ficar ruim novamente na medida em que ele se afastou do PMDB. Acho que ele optou por fazer uma gestão com a cara dele e, não, com a do PMDB”.
‘Traição’ é assunto latente
Quando o assunto foi o sentimento de “traição”, o deputado preferiu cautela. “Esse julgamento quem faz é a sociedade. Fizemos tudo o que estava ao nosso alcance. As obras históricas realizadas pela prefeitura, a exemplo das realizadas na Avenida Centenário, Bonocô e Imbuí, contaram com total apoio do Ministério da Integração Nacional. O mais importante é que tenho a consciência tranquila”.
Sobre o posicionamento do PMDB ante o governo estadual, o ex-ministro reiterou o papel de oposição que o partido exercerá. “O meu partido perdeu a disputa nas urnas por buscar um projeto novo e é na oposição que deve ficar.
No entanto, é preciso deixar claro que não sou inimigo de Wagner, mas sim adversário político. Se algum dia precisarmos conversar sobre os interesses da Bahia conversaremos”. Contudo, como já era de se esperar, o quesito traição voltou à baila.
“Também é preciso deixar claro que quem se sente traído é o PMDB, por ele (Wagner) inclusive. Toda traição começou pelo PT, partido do governador, ainda quando era aliado do prefeito João Henrique, que abandonou o barco aos 45 minutos do segundo tempo para lançar candidato. Ao contrário de nós, que fizemos as coisas às claras”. (FC)
