Por Viviane Nunes

Na foto: Niemeyer, Vivas e Viviane Nunes

Quinta-feira, 4 de novembro de 2010. O dia de Oscar Niemeyer, o maior e mais consagrado arquiteto do Brasil, foi repleto de atividades e emoções. O que não seria nada surpreendente, caso ele não estivesse prestes a completar 103 anos.

Na cobertura de um edifício, de frente para o mar em Copacabana, em um escritório praticamente sem paredes – bem ao seu estilo arquitetônico, Niemeyer recebeu duas grandes personalidades: o Rei Pelé e o arquiteto venezuelano Fruto Vivas.
Vivas, grande amigo de Niemeyer há mais de 60 anos e com quem já trabalhou em grandes obras, como o Museu de Caracas, visitou o colega para lhe entregar o projeto do Parlamento Indígena Latino Americano, a ser erguido em Brasília. A construção é toda ecológica e autossustentável. “É um projeto que existe há muitos anos.”, comentou o venezuelano, desde a época da edificação de Brasília.

Ainda em meio a emoção do encontro, Fruto Vivas disse a Niemeyer que a Universidade Central de Caracas, a mais importante daquele país, vai instalar até o final deste ano a Cátedra Oscar Niemeyer, para que os alunos aprendam seu estilo arquitetônico.

Com uma lucidez impressionante, ao ser questionado sobre seus engenheiros calculistas e sua importância para a realização de suas obras, o arquiteto disse que todos foram e são fundamentais para a sua concretização. “Joaquim Cardoso foi um deles”, disse.

Sobre o futuro do Brasil, com a eleição da nova presidente Dilma Roussef, ele foi categórico: “Votamos e a apoiamos porque acreditamos que ela vai dar continuidade ao governo Lula”.

Pelé – foi apresentado no mesmo dia, o projeto do museu inspirado no jogador, a ser construído no centro histórico de Santos. A construção faz parte do processo de revitalização do centro da cidade portuária.
Em frente, será erguido o Monumento Pelé, em forma de uma esfera de sete metros de diâmetro, embaixo de uma placa de 20 metros de altura. Em seu topo, uma figura vazada da silhueta do Rei do Futebol comemorando um gol dando um soco no ar. Os gastos totais estão orçados em R$ 20 milhões, arrecadados da iniciativa privada. A primeira parte já está pronta. A conclusão final está prevista para 2012 – dois anos antes da Copa do Mundo.

De acordo com a Prefeitura, serão três blocos interligados abrigando os seguintes espaços: Bloco Central, com 550 m², é a entrada do museu, duas lojas, café e sanitários; e Bloco Um, de 1.405 m², tem área para exposições temporárias e auditório de 80 lugares, em forma de esfera de 12 m de diâmetro, onde serão apresentados documentários, filmes e os gols de Pelé. No pavimento superior, está o setor administrativo. O prédio principal foi doado pelo Governo do Estado de São Paulo e passará por reformas.

Com 1.232 m², o Bloco 2 está reservado para o acervo de Pelé, com seus objetos pessoais, fotos, filmes, troféus e material impresso dentro de um grande cubo de vidro. Dali, mezaninos liberam a continuidade das perspectivas, em conjunto com a vedação em vidro de todo o perímetro do edifício.

O museu contará com alta tecnologia, a exemplo internacional e do Museu da Língua Portuguesa, em São Paulo, e acessibilidade para pessoas com vários tipos de deficiência. Terá mais de três mil peças de acervo, incluindo uma réplica da taça mundial de 1970 a Jules Rimet, que foi roubada e derretida.