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Cerca de 90% das empresas brasileiras já sofreram fraudes eletrônicas em 2010. É o que aponta o levantamento da Global Fraud Report e da The Economist Intelligence Unit, da revista The Economist. O relatório foi solicitado pela consultoria norteamericana Kroll, que tem sede no Brasil, especializada em gerenciamento de riscos.

O Brasil fica atrás apenas da China, com 98% das empresas afetadas, e da Colômbia, com 94% de incidência de fraudes.

Apesar da existência do crime e da possibilidade de processar os autores, a maioria das empresas prefere não procurar a Justiça. “Muitas não vão aos tribunais. Elas estão descrentes com o resultado que ir à Justiça pode trazer. A maioria acha que é algo muito oneroso e que o conjunto de provas solicitadas é extremamente complexo. Por isso, se torna mais barato desligar o funcionário que cometeu a fraude”, afirma Vander Giordano, diretor Executivo da Kroll em São Paulo.A postura dessas empresas, no entanto, é criticada por Giordano. “Isso não é o mais recomendado”.

Metodologia
A pesquisa foi realizada com 801 executivos sênior em todo o mundo e teve início em março deste ano, sendo publicada em outubro. Dos entrevistados, 29% foram baseados na América do Norte, 25% na Europa, pouco menos de um quarto da região da Ásia e 11% da América Latina e Oriente Médio e África. Além disso, as empresas escolhidas têm receitas mundiais anuais maiores que US$ 1 bilhão.

“Quem comete a fraude geralmente está dentro da empresa. Os criminosos praticam o estelionato industrial, tomam pose de informações financeiras e confidenciais e colocam a empresa em risco”, disse Giordano.

E se engana aquele que ainda tem a visão hollywoodiana do criminoso e espera por um sujeito feio e mau vestido. “Esse não é o estereótipo de quem pratica esse crime. O cibercriminoso é um sujeito com alto grau de escolaridade, boa aparência, bom domínio de informática, entre outras características”, explica o representante da Kroll no Brasil.

Para as empresas que foram afetadas pela fraude no ano passado, os empregados mais jovens e a gestão sênior foram os autores mais provavéis em 22% cada, seguido por agentes ou outros de níveis intermedários em 11%.

A proporção de fraudes realizadas por estes trabalhadores foi de 50% a 60% na América do Norte, Europa e Ásia e 71% no Oriente Médio e África. O número caiu para 42% na América Latina, onde os casos de fraude estão mais concentrados na relação com clientes.

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