da Agência Brasil

Brasília – O professor da Academia de Ciências da Universidade de Brasília (UnB) Oton Leonards disse que o tratamento que a humanidade dá ao meio ambiente é “o legado que vai ser deixado às gerações futuras”. Ele recomenda, por isso, mudança no padrão da produção e do consumo, “como foi receitado pela Carta da Terra“, assinada durante a  Rio 92,  encontro ambiental de que participaram 180 países no Rio de Janeiro. “É inevitável e imprescindível uma mudança de mentalidade para que a humanidade possa sobreviver”, afirmou.

O professor fez palestra, na semana passada, na abertura do 1º Fórum sobre Resíduos Sólidos, organizado pela UnB para discutir a Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), aprovada pelo Congresso Nacional e sancionada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva em agosto deste ano.

A PNRS estabeleceu normas para a gestão do lixo, inclusive o tóxico, e prevê penalidades para quem não fizer a reciclagem correta. O fórum marcou a implantação do sistema de coleta seletiva de lixo na universidade, com a criação do programa Recicla UnB.

“A forma de consumo do mundo está nos destruindo, por isso temos que dar vários passos para trás e seguir outros caminhos, baseados em princípios mais humanos, abolindo o sistema de competição e dando lugar à colaboração”, disse o professor. Para ele, no futuro, “a humanidade tende a ser entulhada em lixo”.

Oton Leonards vê os aterros sanitários como “verdadeiras montanhas invertidas que estão poluindo os rios, por isso é preciso consciência sobre o que está sendo feito”. Ao falar sobre as transformações que a terra está sofrendo, ele destacou que são reações advindas dos processos geológicos, climáticos e biológicos.

“Uma simples bactéria pode desequilibrar a terra”, disse o especialista. Ele citou o exemplo deixado pelos Guaranis, da época do descobrimento do Brasil, que enterravam os mortos de forma organizada, junto com seus objetos de arte. Para Leonards, as populações tradicionais têm muito o que ensinar no Brasil sobre o trato com o meio ambiente.  

A professora Mara Marchetti, do Núcleo da Agenda Ambiental da UnB, destacou que a universidade é signatária da Carta da Terra e que a iniciativa de implementar o programa de reciclagem é “para despertar a reflexão sobre o cuidado com os atos e o consumo” na comunidade acadêmica. Os funcionários vão ser capacitados para a coleta seletiva, com a mobilização também das cooperativas que trabalham nessa área com a UnB.

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