O dia/Terra

Bruno e Macarrão chegam ao Aeroporto Santos Dumont Foto: Bruno Acosta/O Dia

Preso desde o início de julho, o goleiro Bruno Souza mostrou nesta quinta-feira que ainda tem prestígio entre os torcedores do Flamengo. Em Jacarepaguá, no Rio de Janeiro, para uma audiência no Fórum de Jacarepaguá, o atleta recebeu o apoio de torcidas organizadas – como a Urubu Guerreiro e Torcida Jovem – e até mesmo uma Bíblia.

O presidente de uma das organizadas, identificado como José Carlos, disse que enviou a Bíblia para Bruno através de seus advogados de defesa e, dentro do livro, colocou um bilhete que diz “Na hora da fama, falsos amigos te acompanham. Na hora do sofrimento, só um amigo não te deixa, que é Deus. Você faz parte da história do Flamengo e nós nunca te esqueceremos”.

A dupla está no Rio para uma audiência do processo sobre o sequestro e lesão corporal contra Eliza Samudio, ex-amante do atleta, praticados em 2009, conforme a denúncia. Na época, ela estava grávida de cinco meses do filho que alegava ser de Bruno. Ela teria sido forçada a tomar substâncias abortivas.

Bruno e Macarrão aguardam o início da audiência na 1ª Vara Criminal de Jacarepaguá em salas separadas. Eles só podem se comunicar com seus advogados através de um local chamado de parlatório – sala separada por vidros e equipadas com um telefone. Os detentos só podem receber comida lacrada.

Macarrão desembarca com Bíblia
Bruno e Macarrão desembarcaram por volta de 10h45 de hoje no aeroporto Santos Dumont, passaram pelo Instituto Médico Legal (IML), na Leopoldina, e em seguida foram levados para Jacarepaguá. A dupla chegou à capital fluminense em um avião da Polícia Civil de Minas Gerais. Eles deixaram o presídio mineiro de Contagem por volta de 8h50 e embarcaram em direção à capital fluminense no aeroporto da Pampulha.

Três viaturas da Polinter já esperavam Bruno e Macarrão na pista do Santos Dumont. A Polícia Militar esteve presente apenas nas dependências do aeroporto para prestar suporte à Polícia Civil. Os dois vieram escoltados por três agentes penitenciários no voo de Minas para o Rio e seguiram em carros separados. O desembarque foi feito por uma área restrita da Polícia Civil. Bruno estava de calça jeans e blusa escura e Macarrão com camisa branca e calça jeans.

Os dois desembarcaram com o uniforme do presídio mineiro de Nelson Hungria, mas após terem as algemas retiradas, voltaram para o avião. Após alguns minutos, desceram novamente com roupas comuns. Os dois mantiveram os cabelos curtos e Macarrão segurava uma Bíblia.

Em seguida, Bruno e Macarrão foram levados para o Instituto Médico Legal (IML), na Leopoldina, onde fizeram exame de corpo de delito. Macarrão foi o primeiro a sair e Bruno deixou o prédio logo depois. Os dois ficaram no local por aproximadamente 20 minutos.

A primeira audiência do processo será de instrução e julgamento, e o juiz Marco José Mattos ouvirá apenas as cinco testemunhas de acusação convocadas pelo promotor Eduardo Paes, do Ministério Público. Mesmo não sendo ouvidos pelo magistrado na quinta-feira, Bruno e Macarrão têm o direito de presenciar a audiência. As testemunhas listadas pelo advogado Ercio Quaresma, que defende o goleiro e o amigo, serão ouvidas em outra audiência, ainda sem data definida.

O caso
Eliza desapareceu no dia 4 de junho, quando teria saído do Rio de Janeiro para Minas Gerais a convite de Bruno. No ano passado, a estudante paranaense já havia procurado a polícia para dizer que estava grávida do goleiro e que ele a agrediu para que ela tomasse remédios abortivos. Após o nascimento da criança, Eliza acionou a Justiça para pedir o reconhecimento da paternidade de Bruno.

No dia 24 de junho, a polícia recebeu denúncias anônimas dizendo que Eliza havia sido espancada por Bruno e dois amigos dele até a morte no sítio de propriedade do jogador, localizado em Esmeraldas, na Grande Belo Horizonte. Na noite do dia 25 de junho, a polícia foi ao local e recebeu a informação de que o bebê apontado como filho do atleta, de 4 meses, estava lá. A atual mulher do goleiro, Dayanne Rodrigues do Carmo Souza, negou a presença da criança na propriedade. No entanto, durante depoimento, um dos amigos de Bruno afirmou que havia entregado o menino na casa de uma adolescente no bairro Liberdade, em Ribeirão das Neves, onde foi encontrado.

Enquanto a polícia fazia buscas ao corpo de Eliza seguindo denúncias anônimas, em entrevista a uma rádio no dia 6 de julho, um motorista de ônibus disse que seu sobrinho participou do crime e contou em detalhes como Eliza foi assassinada. O menor citado pelo motorista foi apreendido na casa de Bruno no Rio. Ele é primo do goleiro e, em dois depoimentos, admitiu participação no crime. Segundo a polícia, o jovem de 17 anos relatou que a ex-amante de Bruno foi levada do Rio para Minas, mantida em cativeiro e executada pelo ex-policial civil Marcos Aparecido dos Santos, conhecido como Bola ou Neném, que a estrangulou e esquartejou seu corpo. Ainda segundo o relato, o ex-policial jogou os restos mortais para seus cães.

No dia seguinte, a mulher de Bruno foi presa. Após serem considerados foragidos, o goleiro e seu amigo Luiz Henrique Romão, o Macarrão, acusado de participar do crime, se entregaram à polícia. Pouco depois, Flávio Caetano de Araújo, Wemerson Marques de Souza, o Coxinha Elenilson Vitor da Silva e Sérgio Rosa Sales, outro primo de Bruno, também foram presos por envolvimento no crime. Todos negam participação e se recusaram a prestar depoimento à polícia, decidindo falar apenas em juízo.

No dia 30 de julho, a Polícia de Minas Gerais indiciou todos pelo sequestro e morte de Eliza, sendo que Bruno responderá como mandante e executor do crime. Além dos oito que foram presos inicialmente, a investigação apontou a participação da atual amante do goleiro, Fernanda Gomes Castro, que também foi indiciada e detida. O Ministério Público concordou com o relatório policial e ofereceu denúncia à Justiça, que aceitou e tornou réus todos os envolvidos. O jovem de 17 anos, embora tenha negado em depoimentos posteriores ter visto a morte de Eliza, foi condenado no dia 9 de agosto pela participação no crime e cumprirá medida socioeducativa de internação por prazo indeterminado.

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