Um artigo assinado por Marcos Coimbra, sociólogo e presidente do Instituto Vox Populi, no Correio Brasiliense de ontem, apresenta um panorama detalhado da corrida sucessória deste ano. De acordo com Coimbra, se o retrato que as atuais pesquisas estaduais pintam se confirmar, o país que teremos a partir de 2011 será muito semelhante ao de hoje. Pelo menos no tocante aos governos dos estados, pois tudo indica que o Senado ficará diferente.

De norte a sul, o tom que domina as sucessões, nos estados para os quais dispomos de dados, é de continuidade. São vários os governadores da safra de 2006 que disputam a reeleição, muitos com favoritismo e possibilidade de vitória no primeiro turno, outros enfrentando eleições menos tranquilas. A eles se somam os vices que assumiram o cargo este ano, depois da desincompatibilização dos titulares, que saíram, quase todos, para se candidatar ao Senado.

Neles, a marca da continuidade continua forte, mesmo quando enfrentam sua primeira eleição. O caso mais notável de descontinuidade é o do Rio Grande do Sul, o único estado em que nem quem está no governo nem alguém vinculado a ele disputa com chances. A governadora Yeda Crusius não conseguiu fazer com que a opinião pública gaúcha se reconciliasse com ela, termina mal seu mandato e, embora concorra, está muito atrás dos líderes das pesquisas.

Nenhuma oligarquia dos estados pobres do Norte/Nordeste conseguiu tamanha proeza no Brasil contemporâneo. Depois da redemocratização, nem os Antonio Carlos, os Sarney, os Amazonino Mendes, os Siqueira Campos, os Lavoisier ou os Maia chegaram nem perto. Nenhum deles teve tanta competência para se manter no poder. E o engraçado é que são os tucanos de São Paulo os que mais advogam a alternância como remédio para os males de nossa administração pública.

Devem se reeleger sem susto os governadores do Rio de Janeiro, da Bahia, de Pernambuco, do Ceará, do Mato Grosso do Sul e a governadora do Maranhão. Também favoritos, mas em cenário mais competitivo, os de Sergipe e da Paraíba. Em Alagoas, Teotônio Vilela disputará uma eleição complicada, agora ainda mais, com a entrada de Fernando Collor no páreo.

Mas, na hora em que for feita, em 2011, a foto dos governadores no seu encontro com o novo (ou a nova) presidente, o retrato não ficará muito diferente do atual, mesmo que alguns novos rostos apareçam. No fundamental, pouca coisa vai mudar (salvo, é claro, se alguma surpresa sobrevier).

Já no Senado, é certo que teremos grandes mudanças, muitas para melhor. Nos dois terços que serão renovados, virão ex-governadores, ex-prefeitos, pessoas experientes e lideranças respeitadas nos seus estados e no país. Vários furos acima da média da atual legislatura, que vai embora sem deixar saudade. As informações são do Tribuna da Bahia