Escassez de água potável aumenta risco de epidemias.
Transcorridos seis meses do terremoto de 12 de janeiro que devastou o Haiti, causando a morte de mais de 200 mil pessoas e deixando outros 300 mil feridos além de um milhão de desabrigados, a maior parte da população atingida vive ainda em situação de emergência em abrigos improvisados, enfrentando escassez de água potável e um alto risco de epidemias.
Segundo denuncia a organização humanitária Médicos Sem Fronteiras (MSF) em um relatório divulgado na última sexta-feira, a situação para muitos haitianos “permanece ainda precária, enquanto cresce a frustração entre a população, dada a lentidão da reconstrução”.
Os quase dois milhões de pessoas afetadas pelo terremoto, das quais 1,2 milhão permanecem abrigadas em acampamentos provisórios, continuam a depender das agências humanitárias.
Um dado positivo, porém, é a melhoria registrada no fornecimento de assistência médica. Nos cinco meses que sucederam ao desastre, as equipes do MSF atenderam mais de 173 mil pacientes, realizando mais de 11 mil intervenções cirúrgicas. Mais de 81 mil haitianos receberam apoio psicológico.
A rede internacional da Cáritas, por sua vez, de acordo com um relatório datado de 8 de junho, forneceu ajuda alimentar, água, atendimento médico ou psicológico a cerca de 2,3 milhões de haitianos desde a catástrofe.
Material para reparos de emergência foram distribuídos a cerca de 160 mil pessoas, na capital Porto Príncipe e em áreas rurais. Entretanto, mais de um milhão de pessoas ainda vivem em campos improvisados, enquanto 600 mil pessoas abandonaram a cidade em direção às áreas rurais.
A Cáritas já instalou estruturas para fornecimento de água e serviços sanitários que beneficiam cerca de 170 mil pessoas. Kits de higiene pessoal foram distribuídos para 280 mil vítimas. 480 salas de cirurgia de emergência foram instaladas em 21 hospitais.
No relatório, o cardeal Oscar Andrés Rodríguez Maradiaga, arcebispo de Tegucigalpa e presidente da Cáritas Internacional, destacou a necessidade de “reconstruir as escolas, as casas e as vidas das pessoas”.
O arcebispo lamentou a falta de atenção dada pela opinião pública internacional à situação do Haiti antes do terremoto: “Antes, este país e sua extrema pobreza seguiam amplamente esquecidos. É deplorável que tenha sido necessário um terremoto destas proporções para que o mundo tomasse consciência do escândalo representado pela situação do Haiti”.
A Cáritas elaborou um plano de reinserção social e reconstrução para os próximos cinco anos, identificando algumas prioridades: habitação, educação, redução de riscos de catástrofes, saúde e restabelecimento dos meios de subsistência.
“Ainda que possa parecer contraditório – lê-se no relatório – as pessoas jamais tiveram tal acesso à assistência de saúde antes do terremoto. Agora, é necessário estabilizar a situação e assegurar a todos o acesso à saúde”.

Zenit/Notícias Cristãs