Silvana Blesa/Tribuna da Bahia

 Das esquinas, vielas, becos e avenidas, a marginalidade avança em bairros nobres da capital, como a Pituba. Bares, restaurantes, farmácias e supermercado estão na mira dos assaltantes, sem falar nos números ascendentes de saidinhas bancária e roubos de carros. Para manter portas abertas, donos de estabelecimentos comerciais têm que apelar para a segurança privada.
 
Na última segunda-feira, uma troca de tiros após uma saidinha bancária vitimou fatalmente a técnica de enfermagem Sílvia Perri dos Santos, de 49 anos. Os assaltantes atacaram um correntista do banco Itaú em pleno movimento da Avenida Manoel Dias da Silva, no início da tarde.

A Pituba tem se tornado o primeiro na lista dos criminosos que não se intimidam e promovem, inclusive, arrastões durante os engarrafamentos na orla e nas proximidades do Parque da Cidade. Os bares e restaurantes também estão na mira dos assaltantes.

 No mês passado, quatro restaurantes foram surpreendidos por homens armados que fizeram a limpa nos clientes e nos caixas dos estabelecimentos. No último domingo, Leandro André Santos, de 21, anos foi baleado ao tentar assaltar um mercadinho na Rua Pernambuco, Pituba.

Exemplo disso, pela terceira vez este ano, o restaurante oriental Yakisoba, localizado na Avenida Paulo VI, foi assaltado. Era no começo da tarde, o local estava cheio de clientes e, mesmo assim, três bandidos fortemente armados deram voz de assalto e saquearam todos os clientes. Um dos assaltantes disparou dois tiros contra um policial civil que se alimentava no restaurante e tentou dominar os indivíduos.

Por pouco uma mulher não foi atingida por um tiro. Há um mês, a churrascaria Villa’s, no Jardim dos Namorados, também foi alvo de assaltantes. Seis ladrões entraram no local se passando por clientes e, no momento oportuno, anunciaram o assalto e levaram o dinheiro do caixa e pertences de clientes, como carteiras e celulares.

 Alguns estabelecimentos, além de ter seguranças particulares, contam também com o serviço de câmeras de circuito interno de vigilância. E foi depois de ter filmado a ação dos assaltantes que agentes da 16ª Delegacia da Pituba prenderam quatro homens acusados de assaltar, no mês de maio, os clientes do Restaurante e Churrascaria Candeal.

Um grupo com cinco homens levou pânico aos 70 clientes que almoçavam no restaurante e, após render os seguranças, levaram dinheiro e pertences. O restaurante estaria com cerca de 70 pessoas na hora do crime. Toda a ação dos bandidos durou pouco mais de três minutos e foi registrada por uma câmera do circuito interno que ajudou na prisão dos autores.

Os donos dos estabelecimentos roubados não quiseram falar com a imprensa sobre as medidas adotadas para dar segurança aos clientes.

Morador vive com medo

Quem já foi vítima de assalto no bairro da Pituba tem medo de transitar pelas ruas. O estudante de engenharia Leopoldo da Rocha Silva já sofreu um sequestro relâmpago no ano passado e até hoje tem receio de ir ao bairro da Pituba.

“Antes eu sabia dos números elevados de assaltos que ocorria no bairro, mas acreditava que nunca seria vítima. Depois que fui abordado por dois homens armados, quando estava estacionando o veículo na frente de uma sorveteria na Rua Rio de Janeiro e só fui libertado no Centro Industrial de Aratu, ando no bairro assustado e com os vidros do carro fechados.

Quando vou parar o veículo em alguma rua, fico atento a qualquer pessoa que vejo em atitude suspeita, e às vezes, faço a volta e só paro quando sentir segurança. Até quando vou a algum barzinho ou restaurante, fico temendo ações de marginais”, concluiu o estudante.

A secretária de contabilidade Diana Tárcia contou que morou no bairro da Pituba por três anos e nesse tempo foi assaltada três vezes.

“Quando tenho que ir ao bairro para visitar amigas, tenho medo de transitar pelas ruas. Hoje resido no São Rafael, não que lá não tem assalto, mas não é como na Pituba. Se alguém foi assaltada no São Rafael, basta gritar por ajuda que as pessoas, principalmente os homens, correm atrás do ladrão e ajudam a recuperar o que foi levado.

Já na Pituba, quando alguém é roubado e grita por “pega ladrão”, as pessoas passam e fingem que não estão vendo”, desabafou. 

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