DANIELA PEREIRA/Tribuna da Bahia

 Uma discussão terminou em tragédia após o jogo do Brasil, ocorrido na tarde de anteontem. Gilanderson Lopes de Carvalho, 24 anos, morreu ao ser atropelado pelo veículo Sportage, placa JSQ 2371, conduzido por Carlos Tadeu Lira da Silveira, 47 anos. A vítima, que teria sido empurrada para fora do carro, morreu a caminho do Hospital Geral do Estado. Tadeu foi preso em flagrante e permanece custodiado nas carceragens da 2ª Delegacia. O crime ocorreu por volta das 21h, nas imediações da Baixa do Fiscal, Calçada. 

 

Gilanderson era homossexual e morava há 10 anos com Carlos Tadeu em uma residência da Rua Barão Vila da Barra, no bairro da Calçada. No dia do crime, os dois assistiam ao jogo da Seleção, enquanto bebiam cervejas num bar do local. Ao perceber que já estava embriagado, Carlos entrou no carro e disse que iria embora para casa. Temendo o estado de embriaguez em posse do volante, Gilanderson abriu a porta do veículo e tentou impedir que o amigo desse a partida no carro.

“Ele não me deixava ir para casa. Como estava muito embriagado, o empurrei pedindo que saísse do meu carro. Não percebi que ele tinha caído, achei que ele tinha ido embora por conta própria e, quando arrastei, o veículo terminou passando por cima dele”, contou Carlos Tadeu.

Detido na 2ª CP, o aposentado completou dizendo que tudo não passou de uma fatalidade, pois gostava muito de Gilanderson e não seria capaz de fazer maldades contra ele.

Sem noção do que tinha ocorrido de fato, o acusado seguiu para casa. Horas depois, resolver ir para a residência da mãe, no bairro de Plataforma, mas foi detido pela polícia. Carlos não soube informar aos agentes sobre o ocorrido, pois estava em total estado de embriaguez. Como no ato da prisão não havia delegado na 2ª CP, o acusado foi encaminhado para a 11ª Delegacia, onde o flagrante foi registrado.

Gilanderson trabalhava como vendedor em uma barraca de praia da orla marítima da cidade, iniciando uma amizade com Carlos, que era cliente do local. Como a vítima não tinha residência própria, Carlos o convidou para morar com ele. Apesar de negar envolvimento amoroso, os dois conviveram durante dez anos e nenhum registro de desavença havia entre eles. Buscando respostas para o caso, familiares de Gilanderson compareceram na manhã de ontem à 3ª Delegacia.

“Eles viviam bem e nunca se desentenderam”, completou a prima, Márcia Santos Lopes, 28 anos. De acordo com o delegado plantonista da 2ª CP, José Sálvio, apesar da declaração emocionada do acusado, ainda há mistérios a ser desvendados no caso. “Ele apresentou um depoimento concreto e lógico, mas ainda não consigo entender como ele não percebeu que atropelou a vítima e as marcas de fortes pancadas na lataria do veículo”, finalizou o delegado.

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