das Agências de Noticias/Folha
O Conselho de Segurança das Nações Unidas advertiu nesta segunda-feira as Coreias do Sul e do Norte para que evitem qualquer ato que conduza a uma escalada da tensão na região, que aumentou após o afundamento de uma corveta sul-coreana por um torpedo da Coreia do Norte.
Após analisar os relatórios de Seul e Pyongyang sobre o incidente, os 15 membros do Conselho fizeram “um forte apelo às duas partes para que evitem qualquer ato que possa elevar a tensão na zona”, e para que preservem a paz e a estabilidade na península coreana.
As Coreias do Norte e do Sul falaram separadamente nesta segunda-feira ao Conselho de Segurança da ONU a respeito do naufrágio de uma corveta sul-coreana, em março, que elevou o grau de tensão entre os dois países vizinhos.
Seul, que acusa a Coreia do Norte de ter atacado a corveta Cheonan em 26 de março, matando 46 militares, levou a disputa ao Conselho de Segurança neste mês, pedindo que os 15 membros ajam para evitar uma “provocação maior”.
A Coreia do Norte, que nega responsabilidade pelo ataque e acusa o Sul de ter inventado o ataque, pediu ao México, que preside o Conselho neste mês, por uma sessão separada e foi atendida, disse um porta-voz da delegação mexicana na ONU.
Diplomatas disseram que o Conselho não deve tomar nenhuma decisão com base nas reuniões.
O caso
Uma investigação internacional sobre as causas do afundamento do navio sul-coreano Chenoan, ocorrido em 26 de março em uma região disputada do Mar Amarelo, concluiu que um submarino norte-coreano disparou um torpedo contra a embarcação. O afundamento da coverta de 1.200 toneladas, perto da fronteira marítima com a Coreia do Norte, provocou a morte de 46 marinheiros sul-coreanos.
A Coreia do Norte rechaçou a acusação. A Coreia do Sul pressiona para que a comunidade internacional dê uma resposta ao ataque, por meio do Conselho de Segurança da ONU.
Foi o incidente mais grave ocorrido na disputada fronteira marítima do Mar Amarelo entre as duas Coreias desde o fim da guerra entre as duas nações, em 1953.
O caso aumentou a tensão na península coreana e pôs em teste a posição internacional da China, único grande apoiador do regime norte-coreano. Como a guerra na península Coreana terminou com uma trégua e não um tratado de paz, as duas Coreias permanecem em um estado de guerra constante e divididas pela fronteira mais fortemente armada do mundo.
Acusações
A Coreia do Sul foi a primeira a expor o caso. Autoridades civis e militares fizeram uma apresentação técnica e detalhada na reunião a portas fechadas, que foi seguida por uma sessão de perguntas e respostas, informaram diplomatas que participaram do encontro, que durou duas horas.
“Esperamos que (…) o Conselho de Segurança tome as medidas oportunas e apropriadas em resposta à provocação da Coreia do Norte”, disse à imprensa Yoon Duk-yong, membro da delegação do governo de Seul que apresentou na ONU o relatório sobre o naufrágio.
Uma comissão internacional concluiu que a corveta Cheonan, em cujo naufrágio morreram 46 marinheiros sul-coreanos, foi atingida por um torpedo proveniente de um submarino norte-coreano.
“Identificamos o torpedo como um modelo CHT02D norte-coreano, com base nos fragmentos que recuperamos, inclusive elementos de propulsão”, afirmou Yoon.
Antes da apresentação de seu país, um alto enviado norte-coreano disse a repórteres que Pyongyang rejeita a acusação do Sul. “Não temos nada a ver com isso. Somos apenas uma vítima. Então queremos deixar nossa posição bem clara aqui”, disse o vice-embaixador Pak Tok-hun.
Ele acrescentou que o embaixador, Sin Son-ho, dará mais detalhes em uma rara coletiva de imprensa na ONU na terça-feira (15).
O crescente antagonismo entre as Coreias assusta os investidores, temerosos de um conflito armado na região. Muitos analistas, no entanto, duvidam que ocorra uma guerra, apesar das frequentes ameaças do Norte nesse sentido. Eles veem, no entanto, a possibilidade de novas escaramuças perto das fronteiras naval e terrestre.
A Coreia do Sul acusou a Coreia do Norte de violar o espírito de uma histórica declaração conjunta adotada há dez anos pelos dois governos, prometendo a paz. Mas, após um período de reaproximação, as relações voltaram a ficar ruins sob o governo do presidente sul-coreano, Lee Myung-bak, que cortou a ajuda ao miserável Norte ao tomar posse, em 2008, como forma de pressionar Pyongyang a abandonar seu programa nuclear.
A medida irritou o regime comunista norte-coreano.
O ministério sul-coreano da Unificação disse que o Norte precisa admitir seu envolvimento no incidente naval e pedir desculpas, caso deseje a retomada das relações.
A Coreia do Norte diz que as acusações são parte de uma conspiração comandada pelos EUA.
Controvérsias
A investigação que apontou a responsabilidade de Pyongyang no acidente foi realizada por cinco países ocidentais (Austrália, Canadá, Estados Unidos, Reino Unido e Suécia).
A Rússia indicou que uma equipe de especialistas enviados à região para fazer uma nova análise teria concluído que os indícios da culpa da Coreia do Norte não são tão claros quanto os países ocidentais apontaram inicialmente.
A China também já havia manifestado dúvidas quanto aos resultados da investigação internacional, apesar de “respeitar” o relatório e as respostas de cada país ao incidente.
