- Terra/Orlando Margarido
- Direto de Cannes
O filme Uncle Boonmee Who Can Recall His Past Lives (O tio Boonmee, que pode recordar suas vidas anteriores, numa tradução livre), uma fábula budista do tailandês Apichatpong Weerasethakal, conquistou neste domingo (23) a Palma de Ouro do Festival de Cannes.
O anúncio foi muito aplaudido na sala de imprensa, de onde vários jornalistas acompanham a premiação, e também no auditório do Palais de Festival.
Weerasethakal mandou uma mensagem para os compatriotas, que neste momento passam por uma crise social, e agradeceu aos “fantasmas e espíritos que nos permitem estar aqui”. A lembrança é pelo tema mistico que ele desenvolve em seu filme. A história gira em torno de um homem que decide passar seus últimos dias na selva, onde aparece para ele o fantasma da mulher morta e do filho desaparecido, este transformado em animal.
Premiado em 2001 em Cannes por Tropical Malady, o cineasta disse em Cannes que se inspirou em sua região natal, norte da Tailândia, “com sua vegetação, montanhas e crenças animistas”, e no México, para onde viajou duas vezes.
A entrega dos prêmios do 63ª Festival de Cannes começou às 19h15 no horário local, cinco horas a menos no Brasil. A primeira Palma de Ouro foi para Un Chienne d’Histoire, curta-metragem francês de Serge Avedikian. Também foi concedido um prêmio especial do Júri para o curta Micky Bader, co-produção sueca e dinamarquesa de Frida Kempff.
O prêmio Camera d’Or para diretores estreantes foi para o filme Año Bisiesto, produção mexicana exibida na Quinzena dos Realizadores. O troféu foi dado pelo ator mexicano Gael García Bernal, presidente do júri da seleção.
O filme Un Homme qui Crie (um homem que grita) venceu o prêmio do júri, anunciado por Tim Burton, presidente do júri oficial. O cineasta Mahamat-Saleh Haroun, do Chade, único representante da África na competição, agradeceu dizendo que ele vem de um país onde não há grande coisa e que o prêmio é muito importante.
O diretor francês Mathieu Amalric foi escolhido o melhor pelo júri oficial do festival pelo filme Tournée. O longa é sobre um grupo de artistas mulheres que excursiona pela França fazendo um show de strip-tease.
O diretor e roteirista coreano Lee Chang-dong venceu o prêmio de melhor roteiro pelo filme Poetry. Ele relembrou seu primeiro prêmio no festival em 2006 pelo filme Secret Sunshine.
A intérprete francesa Juliette Binoche recebeu o reconhecimento de melhor atriz por seu trabalho em Copie Conforme, filme do iraniano Abbas Kiarostami. Emocionada, ela agradeceu ao realizador e comentou a enorme felicidade de trabalhar com ele.
Juliette ainda mostrou uma pequena placa com o nome do diretor iraniano Jafar Panahi, preso e em greve de fome em seu país no momento. “Espero vê-lo pessoalmente aqui no próximo ano”, disse.
Divisão de prêmio para atores contemplou o espanhol Javier Bardem, pelo filme Biutiful, e o italiano Elio Germano, de La Nostra Vita. O chamado “ex-aequo” surpreendeu, já que rumores confirmados depois davam apenas Bardem como premiado.
Bardem agradeceu a namorada, Penélope Cruz, em seu discurso. “Divido este prêmio com minha amiga, minha companheira e meu amor, Penélope Cruz”. Já Germano condenou o governo italiano atual.
O concorrente francês Des Hommes et des Dieux, de Xavier Beauvois, foi o vencedor do Grande Prêmio do Júri.
