Último Segundo
A tensão presente nas bolsas do mundo inteiro, reflexo principalmente das incertezas em relação à Europa, está penalizando as empresas brasileiras listadas na BM&F Bovespa.
Um levantamento feito por Alex Agostini, economista-chefe da Austin Rating, mostra que houve um crescimento médio de 36,5% no lucro das companhias no primeiro trimestre deste ano. O valor sobe para 60,1% se for considerado a somatória dos lucros comparativos.
No mesmo período, a Bovespa valorizou apenas 2,6%.
Para o economista, dois fatores ajudam a explicar a discrepância entre os resultados das empresas e a cotação das ações.
O primeiro é a irracionalidade dos investidores, que estão reduzindo posições em empresas brasileiras ao mesmo tempo em que ocorre uma expansão significativa dos lucros das mesmas.
“No começo do mês, um operador da Bolsa de Nova York cometeu um erro, levando a Dow Jones cair quase 10%. Na mesma hora, a Bovespa perdia 6% e ninguém sabia o motivo disto”, afirmou Agostini, ao ressaltar que nessa hora os fundamentos das empresas e mercados não foram levados em conta.
O outro, segundo ele, é a maior inserção do Brasil na economia mundial. Essa globalização financeira faz com que o País acompanhe de perto os mercados desenvolvidos, beneficiando-se dos momentos de expansão e sendo penalizado quando existe maior nervosismo.
Neste caso, a tensão dos mercados com a piora da crise na Europa é o principal fator de influência para Bovespa não refletir o aumento dos lucros no início do ano.
Autor: Guilherme Barros
