BRASÍLIA- Brasil e Turquia pretendem aproximar o Irã das potências ocidentais – que querem sancionar o regime de Teerã por seu programa nuclear – para evitar que a disputa entre as partes se torne um conflito internacional, afirmaram nesta sexta-feira, 16, os chanceleres dos dois países.

O tema foi discutido pelo ministro de Relações Exteriores, Celso Amorim, e seu colega turco, Ahmet Davutoglu, durante uma reunião em Brasília, poucos dias depois da Conferência de Segurança Nuclear realizada em Washington, onde o presidente Barack Obama insistiu na necessidade de sancionar o Irã.

Os cinco membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU – China, Estados Unidos, Reino Unido, França e Rússia), mais a Alemanha, pressionam o Irã para ser mais transparente acerca dos propósitos de seu programa nuclear.

Amorim insistiu na tese em que as sanções contra Teerã serão ineficazes ou somente afetarão os setores vulneráveis do país. “O que vai ocorrer é que as sanções serão débeis e não terão efeito, ou serão duras e afetarão a população mais pobre, não os dirigentes”, disse Amorim.

“Estamos tentando acabar com a brecha entre o Irã e o Grupo dos Seis, na dimensão técnica do tema. O mais importante é acabar com a brecha para alcançar a confiança mútua”, disse Davutoglu. “No atual ambiente internacional, o que precisamos é confiança mútua e trabalhar juntos para um mundo mais justo, em especial no Oriente Médio”.

Amorim, por sua vez, se mostrou confiante de que as opiniões do Brasil e da Turquia serão escutadas, por se tratar de países com boas relações tanto com as potências como com o Irã.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva advertiu em uma entrevista recente que a aplicação de sanções contra o Irã poderia conduzir a um conflito armado, afirmação com a qual Davutoglu concordou.

“O que não queremos ver são ataques militares, não queremos ver uma corrida nuclear em nossa região. Outras coisas que não queremos são as sanções, o castigo econômico. Precisamos de mais relações econômicas para termos paz”, disse o diplomata turco.

Ambos os países também defenderam o direito do Irã de manter um programa nuclear com fins pacíficos.

Estadão