RIO – No filme “Minority Report”, um sistema policial revolucionário é criado para antever um crime e impedir que aconteça. Função parecida têm, em tese, os cem policiais do serviço reservado que investigam a vida pregressa dos candidatos à Policia Militar do Rio de Janeiro. Através do levantamento dos antecedentes criminais e da vida pessoal de cada candidato, eles tentam descobrir se ele tem condições psicológica e moral para portar uma arma em defesa da sociedade, revela reportagem de Elenilce Bottari em O GLOBO deste domingo.
Mas, como no caso da ficção americana, a realidade já provou que o método – usado em todas as polícias no Brasil – não é infalível. Dos três soldados recém-formados, presos nos últimos dias acusados de cometer crimes, apenas um havia sido reprovado na pesquisa social do Centro de Recrutamento e Seleção de Praças (CRSP) da corporação. Lotados na Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) do Morro Pavão-Pavãozinho, os soldados Renato Souza Alves e Jorge Jerônimo Vinagre Carvalho Júnior foram presos, no último dia 20, no bairro Santa Margarida, em Campo Grande, acusados de extorsão. Eles estavam entre os 1.700 aprovados em um concurso que teve 43.974 inscritos.
Segundo o chefe do CRSP, tenente-coronel Frederico Caldas, a investigação social demora em média dois meses, mas pode ser prolongada nos casos de maior dificuldade. Além disso, os candidatos aprovados na prova intelectual são entrevistados por psicólogos e fazem testes psicotécnicos. Mesmo com todo o rigor, só nos últimos dois anos, 518 policiais foram expulsos da corporação. Segundo a Corregedoria Interna da PM, entre os principais delitos estão a concussão (uso do cargo para tirar vantagens), o homicídio, a tentativa de homicídio, roubo, formação de quadrilha, porte ilegal de armas e extorsão. Em 2009, 18 PMs foram expulsos por envolvimento com milícias.
O Globo
