O advogado Roberto Podval protagonizou até agora a maior polêmica no julgamento do Caso Isabella ao solicitar, e conseguir, que a mãe da menina, Ana Carolina Oliveira, fique à disposição da Justiça até o fim do júri. Ela deve ficar incomunicável nesse período.

Ana Carolina é a principal testemunha de acusação no caso da morte de Isabella Nardoni, cinco anos, e foi nesta condição que ela foi levada até o Fórum Regional de Santana, zona norte de São Paulo. Ela foi ouvida na segunda-feira à noite e, depois, permaneceu no prédio. Podval defende a necessidade de isolamento para poder dispor de novos depoimentos da mãe de Isabella, talvez até de uma acareação com o ex-marido e pai da menina, Alexandre Nardoni, acusado do crime ao lado da madrasta da menina, Anna Jatobá.

– É possível que ocorra um descompasso entre os depoimentos dos pais de Isabella e seja necessário comparar o que eles dizem. Não sou insensível. Insensibilidade, se houve, foi de quem convocou ela para depor – justificou.

A mãe de Ana Carolina, Rosa Oliveira, acredita que a filha “está sendo castigada, depois de tudo que sofreu”.

– Ela é uma menina sofrida e agora tem de passar por mais isso – desabafou a avó de Isabella.

O promotor Francisco Cembranelli também criticou o isolamento legal imposto a Ana Carolina:

– Acho que faltou bom senso. O que ela tinha a dizer, já disse.

Ana terá de dormir no fórum, sem conversar com outras testemunhas e sem acompanhar o julgamento.

Especialistas se dividem sobre os efeitos do isolamento da mãe de Isabella. A maioria acredita que vai beneficiar a defesa dos réus, já que Ana Carolina chorou várias vezes durante seu depoimento, comovendo os jurados. A ideia é que, se ela continuasse na assistência e se comportando de forma emotiva, poderia influenciar o júri a condenar os acusados. Já para alguns, o afastamento dela da sala pode virar um gol contra do advogado Podval, por poder firmar uma imagem de perseguição à mãe da menina morta.

O segundo dia do julgamento foi marcado por depoimentos que reforçam a tese de crime na morte da menina. O médico-legista Paulo Sergio Tieppo Alves mostrou fotos do corpo de Isabella, morta ao cair do sexto andar de um edifício em São Paulo em 29 de março de 2008, supostamente largada pela janela pelo próprio pai.

Avó da menina abandonou a sala com a exibição de fotos

A exibição das imagens da menina morta provocou mal-estar em alguns assistentes. A avó materna de Isabella abandonou a sala do júri ao ver as fotos da necropsia da neta. O perito Tieppo Alves declarou que a presença de marcas de unhas na nuca e lesões na boca e no rosto de Isabella comprovam que a garota foi esganada.

O primeiro depoimento de ontem foi da delegada Renata Helena da Silva Pontes, que indiciou o casal. O promotor Francisco Cembranelli pediu para que a delegada relatasse onde havia marcas de sangue visíveis no apartamento dos Nardoni. Ela respondeu que elas estavam na entrada do apartamento e no lençol do quarto dos filhos do casal. O restante das manchas – encontradas no carro e perto do sofá – só ficou visível com o uso de reagente químico.

O dia do júri encerrou com o depoimento de uma das testemunhas-surpresa, Luiz Eduardo Carvalho Dórea, um perito da Bahia. Ele apontou falhas na perícia feita por Delma Gama, a pedido da defesa dos réus. O perito encontrou, na análise entregue pela perita, trechos escritos por ele em um de seus livros e colocados em contexto diferente. A intenção da acusação, ao convocar Dórea, era desacreditar a análise dos advogados de Nardoni e Anna Jatobá.

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