SÃO PAULO – A operação Tarja Preta flagrou e prendeu 16 farmacêuticos e donos de farmácia acusados de vender medicamentos falsificados e sem prescrição médica em Jaú, Barra Bonita, Cafelândia, Lins, Avaré e Bauru – onde quatro suspeitos, inclusive pai e filho, acabaram atrás das grades.
A ação envolveu a Secretaria de Segurança Pública, Secretaria Estadual de Saúde, vigilâncias sanitárias municipais e Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) com apoio do Conselho Regional de Farmácia.
A fiscalização, iniciada no dia 16, verificou 12 farmácias e sete delas foram interditadas. Mais de 2,7 mil caixas de remédio foram apreendidas, diz o corregedor estadual de Saúde, Alexandre Zakir.
“O que motivou esta operação foram as inúmeras denúncias recebidas”, diz.
Entre os produtos irregulares e falsificados estão inibidores de apetite, sedativos, hipnóticos, antidepressivos e, principalmente, remédios para disfunção erétil. Os acusados vão responder por tráfico de entorpecentes e contra a saúde pública. Se condenados, podem pegar pena de 5 a 15 anos de reclusão (prisão em regime fechado).
Na cidade, duas são fechadas
A operação Tarja Preta interditou nesta sexta duas farmácias em Bauru.
No Jardim Redentor, Gercilio Donisete Rosa, 52 anos, e seu filho Tarcísio Nogueira Rosa, 29, responsáveis pela farmácia Santa Rosa, na rua Rafael Pereira Martini, foram presos na manhã desta sexta-feira.
No núcleo Mary Dota, a farmácia Biodrogas (cuja razão social é cuja razão social é Fernando Okino) foi o alvo e dois responsáveis também foram detidos. Todos foram autuados em flagrante por venda de medicamentos irregulares a preços de mercado.
“Havia medicamentos falsos, contrabandeados do Paraguai e caixas com medicamentos trocados nos locais investigados”, afirma a delegada de polícia assistente do Deinter- 4 de Bauru, Cláudia Garmes Armani.
Remédios sujeitos a controle especial, os conhecidos tarjas pretas, devem ser mantidos em armários trancados, e a receita médica retida no estabelecimento.
“Nesta farmácia [a do Redentor] não precisava de receita. Você podia vir aqui, pedir qualquer um e levar para casa na hora”, diz um dos moradores, que não quis se identificar.
‘Remédios desse tipo podem até matar’
Cinegrafista registra imagens de remédios apreendidos: irregularidades diversas.
O gerente de fiscalização da Anvisa, João Roberto Ferreira, alerta que medicamentos irregulares, além de não surtir efeito em muitos casos, podem matar.
“Os riscos são muito grandes. O que aconselhamos é observar a validade, sempre consultar um farmacêutico, checar se a embalagem não está violada e se atentar ao número do lote e do registro da Anvisa. Se houver suspeita de irregularidade, não compre o medicamento”, diz João Roberto. “É lamentável que profissionais da saúde, como farmacêuticos, ponham em risco a saúde da população“, acrescenta o corregedor estadual da Saúde, Alexandre Zakir.
Alprazolan (calmante), desobesi (usado para emagre cimento) e sibutramina (estimulante) são alguns dos medicamentos irregulares apreendidos. Ciali, viagra e pramil, este último não fabricado no Brasil, foram confiscados sem registro.
Todos eles serão encaminhados à Anvisa na Capital.
Os farmacêuticos, além de responder pelos crimes contra a saúde pública e tráfico de entorpecentes, poderão ter seus registros cassados no Conselho Regional de Farmácia. Terão, porém, amplo direito a defesa contra as acusações, garantem as autoridades.
A quem recorrer
Órgão: Anvisa
Telefone: 0800 642 9782
Órgão: Conselho Regional de Farmácias
Telefone: 0800 770 2273
Agência Bom Dia
