RECIFE – O filho da alemã Jennifer Marion Kokler, de 23 anos, assassinada durante o carnaval na região metropolitana de Recife, foi entregue na tarde desta quarta-feira à tia, Roberta Freire. Ambos estão autorizados a viajar para a Itália, onde a criança nasceu e vivia com a mãe e pai, o brasileiro naturalizado italiano Pablo Tonelli, de 22 anos, preso suspeito de participação no crime. Foi Pablo, inclusive, quem autorizou a criança a deixar o país. A guarda do menino de 3 anos que tem dupla nacionalidade (brasileira e italiana) vai ser decidida, depois, pela Justiça da Itália.
O encontro que possibilitou à tia encontrar o sobrinho aconteceu na sede da Vara da Infância e Juventude, no bairro da Boa Vista, no Recife, na tarde desta quarta-feira. Roberta e o menino, acompanhados pela delegada Gleide Ângelo, foram levados para um local não informado, uma vez que estão amparados pelo Programa de Proteção à Testemunha. No Recife, Roberta está sob proteção, pois afirmou que depois do assassinato da cunhada – de quem era amiga – sua vida virou um inferno. Ela, inclusive, chegou a receber ameaças via Internet.
As promotoras de Justiça Laíse Queiroz e Ana Maria da Fonte concederam entrevista coletiva após a saída de Roberta e do menino. Elas informaram que a brasileira já tem em seu poder os documentos que lhe permitirão dar entrada no pedido de guarda do sobrinho. Elas disseram também que Roberta Freire só decidiu vir ao Brasil quando soube, através da imprensa, que havia a possibilidade de o filho de Jennifer Kloker ser encaminhado para adoção. Ela passou duas semanas negociando com a polícia o esquema para recebê-la e reforçando sua intenção de ter a guarda do sobrinho.
Laíse e Ana Maria contaram ainda que, finalmente, Roberta Freire poderá dar entrada em seu pedido de cidadania italiana – ela é moradora legal do país europeu e tem visto permanente, por ser casada com um italiano e ter dois filhos nascidos lá. A cidadania, no entanto, dependia de documentos que estavam em poder de Delma Freire, a mãe de Roberta, que foi presa na última terça. Com a prisão, a brasileira pôde reaver os documentos que a mãe não queria lhe entregar.
A tia do menino veio da Itália para ser ouvida pela polícia pernambucana e depôs contra a mãe, Delma Freire, também presa suspeita de participação no crime. Delma, segundo Roberta, teria tentado prostituí-la o que a levou a fugir de casa. A tia foi considerada como a única pessoa da família em condições de criar a criança.
Pablo e Ferdinando Tonelli, viúvo e sogro da vítima, respectivamente, estão presos acusados de participar da morte de Jennifer, ocorrido na Terça-Feira de Carnaval. A prisão deles foi decretada pela comarca de São Lourenço da Mata, onde o corpo da vítima foi localizado. De acordo com a investigação, vários indícios apontam a participação deles no crime, como depoimentos contraditórios e resto de pólvora nas mãos dos suspeitos.
A sogra da turista, Delma, estava presente na cena do crime, junto com o neto. Ela foi presa no início da tarde desta terça-feira, um dia após um ex-presidiário ter procurado o Grupo de Operações Especiais e admitido que Delma lhe propôs pagar R$ 20 mil para que ele assumisse a culpa pela morte da alemã.
Delma passou a noite na sede do Departamento de Homicídio e Proteção à Pessoa (DHPP), onde Ferdinando e Pablo Tonelli também estão detidos. Apesar de estarem em celas separadas, eles chegaram a conversar. À noite, Delma recebeu a visita da mãe. A acusada será encaminhada para a Colônia Penal Feminina, no Engenho do Meio, Recife, na tarde desta quarta-feira.
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